quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

LEMBRANÇAS DA INFÂNCIA


Mestre Antonio,

            Quando criança gostava de ouvir as histórias e causos de meu Avô, que por sinal, também se chamava Antonio.

            Certo final de tarde de dezembro, num dia de Lua Cheia, após lidar com as Plantas e a Terra, Vovô se sentou comigo à varanda. Cruzou as pernas, balançou levemente o corpo - como sempre fazia – e apontou o por do sol no horizonte. Entre os raios de fogo e as nuvens dançantes, minha imaginação de criança viu se formar uma extraordinária Cidade ao lado direito do Sol, depois mais à direita, as nuvens e a Luz formaram a imagem de uma floresta em chamas.

            Enquando brincava com aquelas imagens, ele me disse umas palavras, que eram mais ou menos assim:

            “Zezé, MIRA SEMPRE O HORIZNTE... Onde as Iilusões se compõe junto com a Verdade.

Não olhe muito para cima, nem muito para baixo. O Caminho do Meio é o horizonte... A dimensão da distância infinita e eterna. O rumo onde somos todos eternos caminhantes, passageiros viajantes.

O HORIZONTE É VOCÊ OLHANDO VOCÊ... Momento eternizado de um espelho solar.

Ali estão no éter os cinco elementos: a água; o fogo; o ar; a terra; o amor da Divina natureza. Lá está a quarta dimensão temporal...

Presta atenção e respeito a tudo; sinta todo o Universo, seja o Universo.

Nunca esqueça, meu filho: o viajante sabe que, mesmo em posse de tanta beleza e poder que vislumbra, há sempre que manifestar a mais profunda gratidão pelo abraço do Creador, pois ‘nenhuma folhinha caí, senão pela Vontade de nosso Pai!’

OLHE PARA O HORIZONTE...”

Quando ele termina de dizer essas coisas, percebi que chorava um choro diferente... e, ao olhar para a Açucena que ele acabara de plantar, notei que o vento falava em suas folhinhas e que numa delas também havia uma pequenina lágrima.

Mestre Antonio, lhe sou grato por ajudar, nesse fraternal diálogo, a reavivar essas lembranças.

Em 18.12.2013

José.

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