A VOZ DO SILÊNCIO
H.P.Blavatsky
(Traduzido por Fernando Pessoa)
PREFÁCIO
(Da tradução inglesa)
As páginas seguintes são extraídas do Livro dos Preceitos de Ouro, uma
das obras lidas pelos estudiosos do misticismo no Oriente. O seu conhecimento
é obrigatório naquela escola cujos ensinamentos são aceitos por muitos
teosofistas. Por isso, como sei de cor muitos destes preceitos, o trabalho de
traduzi-los foi para mim fácil tarefa.
É bem sabido que na Índia os métodos de desenvolvimento psíquico divergem
segundo os Gurus (professores ou mestres), não só porque eles pertencem a
diferentes escolas filosóficas, das quais há seis, mas também porque cada
Guru tem o seu sistema, que em geral mantém cuidadosamente secreto. Mas, para
além dos Himalaias, não há diferença de métodos nas escolas esotéricas, a não
ser que o Guru seja simplesmente um Lama, pouco mais sabendo do que aqueles a
quem ensina.
A obra, de onde são os trechos que traduzo, forma parte da mesma série de onde
são tiradas as estrofes do Livro de Dzyan sobre que A Doutrina Secreta
se baseia. Juntamente com a obra mística chamada Paramartha, a qual
segundo nos diz a lenda de Nagarjuna, foi ditada ao grande Arhat pelos Nagas
ou serpentes - nome dado aos antigos iniciados - o Livro dos Preceitos
Áureos invoca a mesma origem. As suas máximas e conceitos, porém, por
nobres e originais que sejam, encontram-se muitas vezes, sob formas diversas,
em obras sânscritas, tais como o Jnaneshevari, esse soberbo tratado
místico em que Krishna descreve a Arjuna, em cores brilhantes, a condição dum
iogue plenamente iluminado; e ainda em certos Upanishads. Isto, afinal, é
naturalíssimo, visto que quase todos, senão todos, os maiores Arhats, os
primeiros seguidores do Gautama Buda, foram hindus e árias, e não mongóis,
sobretudo aqueles que emigraram para o Tibete. As obras deixadas apenas por
Aryasanghas são, por si só, numerosíssimas.
Os preceitos originais estão gravados sobre lâminas oblongas delgadas; as
cópias, muitas vezes, sobre discos. Estes discos ou chapas são geralmente
conservados nos altares dos templos ligados aos centros onde estão
estabelecidas as chamadas escolas "contemplativas" ou Mahayana
(Yogacharya). Estão escritos de diversas maneiras, às vezes no idioma
tibetano, mas principalmente em idéografos. A língua sacerdotal (senzar),
além de por um alfabeto seu, pode ser traduzida em várias maneiras de escrita
em caracteres cifrados, que têm mais de ideogramas do que de sílabas. Um
outro método (lug, em tibetano) é o de empregar os números e as cores, cada
um dos quais corresponde a uma letra do alfabeto tibetano (trinta letras
simples e setenta e quatro compostas), formando assim um alfabeto
criptográfico completo. Quando se empregam os idéografos há uma maneira certa
de ler o texto, pois, neste caso, os símbolos e os sinais usados na
astrologia, isto é, os doze animais zodíacos e as sete cores primárias, cada
uma tripla em seu matiz (claro, primário e escruro), representam as trinta e
três letras do alfabeto simples, formando palavras e orações. Porque, neste
método, os doze animais, cinco vezes repetidos e juntos aos cinco elementos e
às sete cores, compõem um alfabeto completo de de setenta letras sagradas e
doze signos. Um signo posto no princípio de um parágrafo indica se o leitor
tem de soletrar segundo o modo índio (em que cada palavra é apenas uma
adaptação, sânscrita), ou segundo o princípio chinês de ler os ideógrafos. O
método mais fácil é, porém, aquele que não deixa o leitor empregar qualquer língua
especial, ou o que quiser, visto que os sinais e os símbolos eram, como os
números ou algarismos arábicos, propriedade comum e internacional entre os
místicos iniciados e os seus seguidores. A mesma peculiaridade é
característica de uma das maneiras chinesas de escrever, que pode ser lida
com igual facilidade por qualquer pessoa conhecedora dos caracteres: por
exemplo, um japonês pode lê-la na sua língua tão prontamente como um chinês
na sua.
O Livro dos Preceitos Áureos - alguns dos quais são pré-budísticos, ao
passo que outros pertencem a um época posterior - contém uns noventa pequenos
tratados distintos. Destes aprendi de cor, há muitos anos, trinta e nove.
Para traduzir os outros, teria de me referir a apontamentos dispersos entre
um número de papéis e notas, representando um estudo de 20 anos e nunca
postos em ordem, demasiado grande para que a tarefa fosse fácil. Nem poderiam
ser, todos, traduzidos e dados a um mundo por demais egoísta e atado aos
objetos dos sentidos, para que pudesse estar preparado a receber, com a
devida atitude do espírito, uma moral tão elevada. Porque, a não ser que um
homem se entregue perseverantemente ao culto do conhecimento de si próprio,
nunca poderá de bom grado dar ouvidos a conselhos desta natureza.
E, contudo, esta moral enche tomos e tomos da literatura oriental, sobretudo
nos Upanishads. "Mata todo o desejo de viver" - diz Krishna a
Arjuna. Esse desejo mora apenas no corpo, veículo do ser encarnado, e não na
própria Individualidade, que é "eterna, indestrutível, que não mata nem
é mortal".) "Mata a sensação", ensina o Sutta Nipata;
"olha do mesmo modo para o prazer e para a dor, para o ganho e para a
perda, para a vitória e para a derrota". E ainda "busca abrigo só
no eterno" (ibid.) "Destrói o sentido da existência separada"
- repete Krishna de variadas maneiras. "O Espírito (Manas), que segue os
sentidos vagabundos torna a alma (Budhi) tão inerte como o barco que o vento
arrasa sobre as águas" (Bhagavad Gita, II 67).
Por isso se julgou melhor fazer uma escolha judiciosa só entre aqueles
tratados que mais sirvam aos poucos verdadeiro místicos que há na Sociedade
Teosófica, e que com certeza se ajustem às suas necessidades. Só esses
compreenderão estas palavras de Krishna-Christos, a Personalidade Superior.
"Sábios, não choreis nem pelos vivos nem pelos mortos. Nunca deixei de
existir, nem vós, nem estes reis dos homens; nem no futuro deixará qualquer
um de nós de existir" (Bhagavad Gita, II 11-12).
PRIMEIRO
FRAGMENTO - A VOZ DO
SILÊNCIO
Aquele que quiser ouvir a voz de Nada (2), o Som sem som, e compreendê-la, terá de aprender a natureza do
Dharana (3).
Tendo-se tornado indiferente aos objetos da percepção, deve o aluno procurar
o Raja dos sentidos, o produtor de pensamentos, aquele que acorda a ilusão.
A Mente é a grande assassina do Real.
Que o discípulo mate o assassino.
Porque quando para si mesmo a sua própria forma parece irreal, como o
parecem, ao acordar, todas as formas que ele vê em sonhos; quando deixar de
ouvir os muitos, poderá divisar o Um - o som interior que mata o exterior.
Então, e só então, abandonará ele a região de Asat, o falso, para chegar ao
reino de Sat, o verdadeiro.
Antes que a Alma possa ver, deve ser conseguida a harmonia interior, e os
olhos da carne tornados cegos a toda a ilusão.
Antes que a Alma possa ouvir, a imagem (o homem) tem de se tornar surda aos
rugidos como aos segredos, aos gritos dos elefantes em fúria como ao
sussurro prateado do pirilampo de ouro.
Antes que a Alma possa compreender e recordar, ela deve primeiro unir-se ao
Falador Silencioso, como a forma que é dada ao barro se uniu primeiro ao
espírito do escultor.
Porque então a Alma ouvirá e poderá recordar-se.
E então ao ouvido interior falará
A Voz do
Silêncio
e dirá:
Se a tua Alma sorri ao banhar-se ao sol da tua vida; se a tua Alma canta
dentro da sua crisálida de carne e de matéria; se a tua Alma chora dentro do
seu castelo de ilusão; se a tua Alma se esforça por quebrar o fio de prata
que a liga ao Mestre (4); sabe, ó discípulo, que a tua Alma é da terra.
Quando ao tumulto do mundo a tua Alma (5) que desabrocha dá ouvidos; quando à voz clamorosa da grande ilusão (6) a tua Alma
responde; quando se assusta ao ver as lágrimas quentes da dor, quando a
ensurdecem os gemidos da angústia, quando a Alma se retira, como a tartaruga
tímida, para dentro da concha da personalidade, sabe, ó discípulo, que do seu
Deus silencioso a tua Alma é um sacrário indigno.
Quando, já mais forte, a tua Alma vai saindo do seu retiro seguro; quando,
deixando o sacrário protetor, estende o seu fio de prata e avança; quando, ao
contemplar a sua imagem nas ondas do espaço, ela murmura, “Isto sou eu” -
declara, ó discípulo, que a tua Alma está presa nas teias da ilusão (7).
Esta terra, discípulo, é a sala da tristeza, onde existem, pelo caminho das
duras provações, armadilhas para prender o teu Eu na ilusão chamada “a grande
heresia” (8).
Esta terra, ó discípulo ignaro, não é senão a triste entrada para aquele
crepúsculo que precede o vale da verdadeira luz - essa luz que nenhum vento
pode apagar, e que arde sem óleo nem pavio.
Diz a grande Lei: “Para te tornares o conhecedor da Personalidade
Total (9), tens
primeiro de conhecer a Personalidade”. Para chegares ao conhecimento dessa
Personalidade, tens de abandonar a personalidade à não-personalidade, o ser
ao não-ser, e poderás então repousar entre as asas da Grande Ave. Sim, suave
é o descanso entre as asas daquilo que não nasce, nem morre, mas é o AUM (10) através de
eras eternas (11).
Três salas, ó cansado peregrino, conduzem ao fim dos trabalhos. Três salas, ó
conquistador de Mara, te trarão através de três estados (14) até ao quarto (15), e daí até aos sete mundos (16), os mundos do descanso eterno.
Se queres saber os seus nomes, escuta-os e aprende-os.
O nome da primeira sala é Ignorância - Avidya. É a sala em que viste a luz,
em que vives e hás de morrer (17).
O nome da segunda sala é a Sala da Aprendizagem (18). Nela a tua Alma encontrará as flores da vida, mas debaixo de cada
flor uma serpente enrolada (19).
O nome da terceira sala é Sabedoria, para além da qual se estende o mar sem
praias de Akshara, a fonte indestrutível da onisciência (20) .
Se queres atravessar seguramente a primeira sala, que o teu espírito não tome
os fogos da luxúria que ali ardem pela luz do sol da vida.
Se queres atravessar seguramente a segunda, não pares a aspirar o perfume das
suas flores embriagantes. Se queres ver-te livre das peias cármicas, não
procures o teu Guru nessas regiões mayávicas.
Os sábios não se demoram nas regiões de prazer dos sentidos.
Os sábios não dão ouvidos às vozes musicais da ilusão.
Procura aquele, que te dará o ser (21), na Sala da Sabedoria, a sala que está para além, onde todas as
sombras são desconhecidas e onde a luz da verdade brilha como uma glória
imorredoura.
Aquilo que é incriado está dentro de ti, discípulo, assim como está naquela
sala. Se queres possuí-lo, e unir as duas coisas, tens de despir os teus
negros trajes de ilusão. Abafa a voz da carne, não deixes que qualquer
imagem dos sentidos se entreponha entre a sua luz e a tua, para que assim as
duas se fundam em uma. E, tendo aprendido a tua Ajnana (22), abandona a Sala da Aprendizagem. Essa sala é perigosa pela sua
beleza pérfida, e só é precisa para a tua provação. Acautela-te Lanu, não vá
a tua Alma, entontecida pelo brilho ilusório, demorar-se e enredar-se na sua
luz enganadora.
Esta luz brilha na jóia do grande enganador (Mara) (23). Enfeitiça os sentidos, cega o espírito e deixa o descuidado
naufragado e sozinho.
A borboleta atraída para a chama da tua lâmpada noturna está condenada a
ficar morta no azeite. A alma incauta, que não pode defrontar-se com o
demônio escarninho da ilusão, voltará ao mundo escrava de Mara.
Olha as hostes das Almas. Vê como elas pairam sobre o mar tempestuoso da vida
humana, e como, exaustas, sangrando, de asas quebradas, caem, uma após outra,
nas ondas encapeladas. Batidas pelos ventos ferozes, perseguidas pelos
vendavais, são arrastadas para os sorvedouros e somem-se pelo primeiro grande
vértice que encontram.
Se, passando pela Sala da Sabedoria, queres chegar ao vale da felicidade,
fecha, discípulo, os teus sentidos à grande e cruel heresia da separação, que
te afasta dos outros.
Que aquilo que em ti é de origem divina não se separe, engolfando-se no mar
de Maya (24), do Pai
Universal (a Alma), mas que o Poder de Fogo (25) se retire para a câmara interior, a câmara do coração (26), e o
domicílio da Mãe do Mundo (27).
Então do coração esse poder subirá até à sexta região, à região média, ao
lugar entre os teus olhos, quando se toma a respiração da Alma-Única, a voz
que enche tudo, a voz do seu Mestre.
É só então que te podes tornar um “que anda nos céus” (28), que pisa os ventos por cima das ondas, cujo passo não toca nas
águas.
Antes que ponhas o pé sobre o degrau superior da escada, da escada dos sons
místicos, tens de ouvir de sete maneiras a voz do teu Deus interior (29).
A primeira é como a voz suave do rouxinol cantando à sua companheira uma
canção de despedida.
A segunda vem como o som de um címbalo de prata dos Dhyanis, acordando as estrelas
lucilantes.
A terceira é como o lamento melodioso de um espírito do oceano prisioneiro na
sua concha.
A quinta, como o som de uma flauta de bambu, grita aos teus ouvidos.
Muda depois para um clamor de trompa.
A última vibra como o rumor surdo de uma nuvem de trovoada.
A sétima absorve todos os outros sons. Eles morrem, e não tornam a ouvir-se.
Quando os seis (31) estão mortos e postos aos pés do mestre, então se entrega o aluno no
Único (32), se torna
esse Único e nele vive.
Antes que possas entrar para esse caminho, tens de destruir o teu corpo lunar
(33), e limpar o teu corpo mental (34), assim como o teu coração.
As águas puras da vida eterna, límpidas e cristalinas, não podem misturar-se
com as torrentes lamacentas da tempestade de monção.
O orvalho do céu brilhando ao primeiro raio do sol no coração do lótus,
quando cai na terra torna-se uma, gota de lama; vede como a pérola se tornou
uma porção de lodo.
Luta com os teus pensamentos desonestos antes que eles te dominem. Trata-os
como eles te querem tratar, porque, se os poupas, criarão raízes e crescerão,
e repara, esses pensamentos dominar-te-ão até que te matem. Acautela-te,
discípulo, não deixes aproximar-se mesmo a sua sombra. Porque ela crescerá,
aumentará em tamanho e poder, e então essa coisa escura observará o teu ser
antes que te apercebas da presença do monstro hediondo e negro.
Antes que o poder místico (35) te possa fazer um Deus, Lanu, deves ter adquirido a faculdade de
matar, quando quiseres, a tua forma lunar.
A pessoa da matéria e a Pessoa do Espírito nunca se podem encontrar. Uma
delas tem de desaparecer; não há lugar para ambas.
Antes que a mente da tua Alma possa compreender, deve a flor da personalidade
ser esmagada em botão, e o verme dos sentidos destruído até não poder
ressurgir.
Que a tua Alma dê ouvidos a todo o grito de dor como a flor de lótus abre o
seu seio para beber o sol matutino.
Que o sol feroz não seque uma única lágrima de dor antes que a tenhas limpado
dos olhos de quem sofre.
Que cada lágrima humana escaldante caia no teu coração e aí fique; nem nunca
a tires enquanto durar a dor que a produziu.
Estas lágrimas, ó tu de coração tão compassivo, são os rios que irrigam os
campos da caridade imortal. É neste terreno que cresce a flor noturna de Buda
(37), mais
difícil de achar, mais rara de ver, do que a flor da árvore Vogay. É a
semente da libertação do renascer. Ela isola o Arhat tanto da luta como da luxúria,
leva-o através dos campos do ser para a paz e a felicidade que só se conhecem
na terra do silêncio e do não-ser.
Mata o desejo; mas se o matares, cuida bem em que ele não renasça da morte.
Mata o amor da vida; mas se matares Tanha (38), que isso não seja pela ânsia da vida eterna, mas para substituir o
evanescente pelo eterno.
Não desejes nada. Não te indignes contra o Carma, nem contra as leis
imutáveis da natureza. Mas luta apenas com o pessoal, o transitório, o
evanescente e o que tem de perecer.
Auxilia a natureza e trabalha com ela; e a natureza ter-te-á por um dos seus
criadores, obedecendo-te.
E ela abrirá de par em par diante de ti as portas das suas câmaras secretas,
desnudará ao teu ornar os tesouros ocultos nas profundezas do seu seio
virgem. Impoluída pela mão da matéria, ela revela os seus tesouros apenas aos
olhos do Espírito - os olhos que nunca se fecham, os olhos para os quais não
há véu em todos os seus remos.
Então ela te mostrará o meio e a senda, a primeira porta, e a segunda, e a
terceira, até à própria sétima porta. E então a meta, para além da qual
estão, banhadas pelo sol do Espírito, glórias indizíveis, que só o olhar da
Alma pode ver.
Há só uma senda até ao Caminho; só chegado bem ao fim se pode ouvir a Voz do
Silêncio. A escada pela qual o candidato sobe é formada por degraus de
sofrimento e de dor; estes só podem ser calados pela voz da virtude. Ai de
ti, pois, discípulo, se há um único vício que não abandonaste; porque então a
escada abaterá e far-te-á cair; a sua base assenta no lodo fundo dos teus
pecados e defeitos, e antes que possas tentar atravessar esse largo abismo de
matéria, tens de lavar os teus pés nas águas da renúncia. Acautela-te, não
vás pousar um pé ainda sujo no primeiro degrau da escada. Ai daquele que ousa
poluir um degrau com seus pés lamacentos. A lama vil e viscosa secará,
tornar-se-á pegajosa, e acabara por colar-lhe o pé ao degrau; e, como uma ave
presa no visco do caçador sutil, ele será afastado de todo o progresso
ulterior. Os seus vícios tomarão forma e puxá-lo-ão para baixo. Os seus
pecados erguerão a voz, como o riso e soluço do chacal depois do sol se por;
os seus pensamentos tornar-se-ão um exército e levá-lo-ão consigo, como um
escravo cativo.
Mata os teus desejos, Lanu; torna os teus vícios impotentes, até dares o
primeiro passo na jornada solene.
Estrangula os teus pecados, torna-os mudos para sempre, antes que ergas um pé
para subir a escada.
Faze calar os teus pensamentos e concentra toda a tua atenção sobre o teu
Mestre, que tu por enquanto não vês, mas sentes.
Funde num só sentido todos os teus sentidos, se queres tomar-te seguro contra
o inimigo. É só por aquele sentido que está oculto no vácuo do teu cérebro,
que o caminho íngreme que conduz ao teu Mestre se pode revelar aos olhos
indecisos da tua, Alma.
Longa e fatigante é a senda ante ti, ó discípulo. Um único pensamento a
respeito do passado que abandonaste puxar-te-á para baixo, e terás novamente
de começar a ascensão.
Mata em ti toda a recordação de experiências passadas. Não te voltes para
trás ou estás perdido.
Não creias que a luxúria pode alguma vez ser morta se é satisfeita ou
saciada, porque isso é uma abominação inspirada por Mara.
É alimentando o vício que ele se expande e torna forte, como o verme que se
alimenta no seio da flor.
A rosa tem de tornar a ser o botão, nascido da sua haste paterna, antes que o
parasita lhe tenha roído o seio e bebido a seiva da sua vida.
A árvore dourada dá flores de jóia, antes que o seu tronco esteja gasto pela
tormenta.
O aluno tem de tornar ao estado de infância que perdeu antes que o primeiro
som lhe possa soar ao ouvido.
A luz do único Mestre, a única, eterna, luz dourada do Espírito, derrama os
seus raios fulgurantes sobre o discípulo desde o princípio. Os seus raios
atravessam as nuvens espessas e pesadas da matéria.
Ora aqui, ora ali, esses raios iluminam-na, como os raios do sol iluminam a
terra através das espessas folhas da floresta. Mas, ó discípulo, a não ser
que a carne seja passiva, a cabeça lúcida, a Alma firme e pura como um
diamante que cintila, o fulgor não chegará à câmara, a sua luz do sol não
aquecerá o coração, nem os sons místicos das alturas akashicas (39) chegarão
ao ouvido, por atento que ele esteja, no estágio inicial.
A não ser que ouças, não poderás ver.
A não ser que vejas, não poderás ouvir. Ouvir e ver, eis o segundo estágio.
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Quando o discípulo vê e ouve, e quando cheira e gosta, com os olhos fechados,
os ouvidos fechados, tapados o nariz e a, boca; quando os quatro sentidos se
fundem e estão prontos a tornar-se o quinto, aquele do tato interior - então
passou ele para o quarto estágio.
E no quinto, á matador dos teus pensamentos, todos estes têm de ser outra vez
mortos até não ser possível reanimarem-se (40).
Retira a tua mente de todos os objetos externos, de todas as vistas externas.
Retira as imagens internas, para que não lancem uma sombra negra sobre a luz
da tua Alma.
Quando tiveres passado para o sétimo, ó bem-aventurado, não mais verás os
Três sagrados (42), porque te terás, tu próprio, tornado esses Três. Tu próprio e a
mente, como gêmeos sobre uma linha, a estrela que é o teu guia brilha por
cima, nas alturas (43). Os Três que moram na glória e na felicidade inefáveis, agora
perderam os seus nomes no mundo de Maya. Tornaram-se uma só estrela, o fogo
que arde mas não queima, o fogo que é o Upadhi (44) da chama.
E isto, ó iogue do sucesso, é aquilo a que os homens chamam Dhyana (45), o
verdadeiro precursor do Samadhi (46).
E agora a tua personalidade está perdida na Personalidade, tu para contigo
próprio imerso naquela Personalidade de onde primeiro irradiaste.
Onde está a tua individualidade, Lanu, onde está o próprio Lanu? É a fagulha
perdida no meio do fogo, a gota dentro do oceano, o raio de luz sempre
presente tornado o Todo e o fulgor eterno.
E agora, Lanu, tu és o agente e a testemunha, o que irradia e a irradiação, a
luz no som, e o som na luz.
Conheces, ó bem-aventurado, os cinco impedimentos. Tu és o seu conquistador,
o mestre do sexto, libertador dos quatro modos da verdade (47)
- A luz que cai sobre eles brilha de ti, à tu que foste discípulo, mas agora
és professor.
E destes modos da verdade:
Não atravessaste tu o conhecimento de toda a dor - primeira verdade?
Não destruíste tu o pecado à terceira porta, atingindo a terceira verdade?
E agora, descansa sob a árvore de Bodhi, que é a perfeição de todo o
conhecimento, porque, sabe-o, és possuidor de Samadhi - o estado da visão
infalível.
Vê! tornaste-te a luz, tornaste-te o som, és o teu Mestre e o teu Deus. Tu
próprio és o objeto da tua busca: a voz sem falha, que ressoa através de
eternidades, isenta de mudança, isenta de pecado, os sete sons em um,
A Voz do
Silêncio.
Om Tat
Sat.
SEGUNDO
FRAGMENTO - OS DOIS
CAMINHOS
E AGORA, ó Mestre da compaixão, ensina tu o caminho aos outros homens. Olha,
todos aqueles que, batendo para que os admitam, esperam na ignorância e na
escuridão ver abrir-se a porta da suave Lei!
A voz dos candidatos:
Não quererás tu, Mestre da tua própria misericórdia, revelar a doutrina do
coração (50)? Recusar-te-ás a conduzir os teus servos até ao Caminho da
libertação?
Diz o mestre:
Os caminhos são dois; as grandes perfeições três; seis as virtudes que
transformam o corpo na árvore da sabedoria (51).
Quem se aproximará delas?
Quem primeiro entrará para elas?
Quem primeiro ouvirá a doutrina dos dois caminhos em um, a verdade sem véu a
respeito do Coração Secreto (52)? A lei que, rejeitando o aprender, ensina a sabedoria, revela uma
história de dor.
Ai de nós, ai de nós, que todos os homens possuam Alaya, sejam unos com a
grande Alma, e que, possuindo-a, Alaya de tão pouco lhes sirva!
Repara como, qual a lua se reflete nas ondas tranqüilas, Alaya é refletida
pelos pequenos e pelos grandes, espelhado nos átomos ínfimos, e contudo não
consegue chegar ao coração de todos. Ai de nós, que tão poucos sejam os
homens que se aproveitem do dom, do dom sem preço, de aprender a verdade, a
verdadeira percepção das coisas existentes, o conhecimento do não-existente!
Diz o aluno:
Ó Mestre, que farei eu para atingir a sabedoria? Ó Sábio, que farei para
conseguir a perfeição?
Procura os caminhos. Mas, ó Lanu, sê puro de coração antes que comeces a tua
jornada. Antes que dês o primeiro passo, aprende a separar o real do falso, o
transitório do eterno. Aprende sobretudo a separar a ciência da cabeça da
sabedoria da Alma, a doutrina dos “olhos” da doutrina do “coração”.
Sim, a ignorância é como uma vasilha fechada e sem ar; a Alma uma ave dentro
dela. Não canta, nem pode mexer uma pena; mas jaz num torpor e morre de não
poder respirar.
Mas mesmo a ignorância é melhor do que a ciência de cabeça sem a sabedoria de
Alma para a iluminar e guiar.
As sementes da sabedoria não podem germinar e crescer no espaço sem ar. Para
viver e comer experiência, o espírito precisa espaço e profundidade e pontos
que o guiem para a Alma de Diamante (53). Não procures esses pontos no reino de Maya; mas ergue-te acima das
ilusões, busca o eterno e imutável Sat (54), desconfiando das falsas sugestões de fantasia.
Porque a mente é como um espelho; cobre-se de pó ao mesmo tempo que reflete (55). Precisa
que as brisas leves da sabedoria de Alma limpem o pó das nossas ilusões. Procura, ó
principiante, fundir a tua mente e a tua Alma.
Afasta-te da ignorância e da ilusão também. Vira o rosto às decepções do
mundo; desconfia dos teus sentidos; eles mentem. Mas dentro do teu corpo -
escrínio das tuas sensações - procura no impessoal o Homem Eterno (56) e,
tendo-o procurado, olha para dentro; tu és Buda (57).
Rejeita o aplauso, ó crente; o aplauso conduz à ilusão de si próprio. O teu
corpo não é Personalidade, a tua Personalidade é, em si, sem corpo, e o
elogio ou a censura não a atingem.
O contentamento de si próprio, ó discípulo, é uma torre altíssima, à qual um
insensato orgulhoso subiu. Ali se senta em orgulhosa solidão, invisível a
todos, salvo a si próprio.
A falsa ciência é rejeitada pelos sábios, e espalhada aos ventos pela Boa
Lei. A sua roda gira para todos, tanto para os humildes como para os
orgulhosos. A doutrina dos olhos é para a multidão; o doutrina do coração
para os eleitos. Os primeiros repetem, orgulhosos: “Vede, eu sei”; os
últimos, aqueles que humildemente fizeram a sua colheita, confessam em voz
baixa: “Assim ouvi” (58).
“A Grande Joeira” é o nome da Doutrina do Coração, ó discípulo.
A roda da Boa Lei gira rapidamente. Noite e dia mói. Afasta o joio do trigo
dourado, e a casca da farinha. A mão do Carma guia a roda; as rotações marcam
o bater do coração cármico.
O verdadeiro conhecimento é a farinha, a falsa ciência é a casca. Se queres
comer o pão da sabedoria, tens de amassar a tua farinha com a água límpida de
Amrita (59). Mas, se amassas cascas com o orvalho de Maya, só podes criar
alimento para as pombas negras da morte, as aves da nascença, da decadência
e da tristeza.
Se te disserem que para te tornares Arhan tens de deixar de amar todas as
coisas - dize-lhes que mentem.
Se te disserem que para te libertares tens de odiar a tua mãe e desprezar o
teu filho; de renegar o teu pai e chamar-lhe dono de casa (60); de
renunciar toda a compaixão pelos homens e pelos animais - dize-lhes que as
suas palavras são falsas.
Se te ensinarem que o pecado nasce da ação e a felicidade da inação absoluta,
dize-lhes que se enganam. A não-permanência da ação humana, a libertação da
mente da sua escravidão pela cessação do pecado e das culpas não são coisas
para os Eus Devas (62). Assim reza a doutrina do coração.
A lâmpada brilha bastante quando
estão limpos pavio e óleo. Para limpá-los é preciso quem os limpe. A chama
não sente o processo de limpeza. “Os ramos de uma árvore são sacudidos pelo
vento; o tronco fica imóvel”.
Tanto a ação como a inação podem caber em ti; o teu corpo agitado, a tua
mente tranqüila, a tua Alma límpida como um lago de montanha.
Queres tu tornar-te um iogue do círculo do tempo? Então, ó Lanu:
Não creias que sentando-te em florestas escuras, em orgulhosa reclusão, longe
dos homens; não creias que a vida alimentada a plantas e raízes, saciada a
sede com a neve da. grande Cordilheira - não creias, ó devoto, que isto te
levará à meta da libertação final.
Não julgues que o partir dos ossos, o rasgar da carne e dos músculos, te
unirá à tua Personalidade silenciosa (65). Não julgues que quando estão vencidos os pecados da tua forma
grosseira, ó vítima das tuas sombras (66), o teu dever está cumprido para com a natureza e com os homens.
Os bem-aventurados não quiseram fazer assim. O Leão da Lei, o Senhor da
Misericórdia (67), percebendo a verdadeira causa da dor humana, imediatamente abandonou
o repouso suave mas egoísta das solidões sossegadas. De Aranyaka (68) tornou-se
o Mestre da humanidade. Depois de Julai (69) ter entrado para o Nirvana, ele pregou em montanhas e planícies, fez
sermões nas cidades, aos Devas, aos homens e aos Deuses (70).
Semeia boas ações e colherás o seu fruto. A inação num ato de misericórdia
passa a ser a ação num pecado mortal.
Assim diz o Sábio:
Por que queres abster-te da ação? Não é assim que a tua Alma conseguirá a sua
liberdade. Para chegar ao Nirvana é preciso chegar ao conhecimento de Si
próprio, e o conhecimento de Si próprio é filho de ações caridosas.
Tem paciência, candidato, como quem não teme falhar, nem procura triunfar.
Fixa o olhar da tua Alma na estrela cujo raio és (71), a estrela chamejante que brilha nas profundezas sem luz do ser
eterno, nos campos sem limite do desconhecido.
Tem perseverança, como aquele que tem de sofrer eternamente. As tuas sombras
vivem e desaparecem (72); aquilo que em ti viverá para sempre, aquilo que em ti conhece
(porque é o conhecimento) não é da vida transitória; é o Homem que foi, que
é, e que há de ser, para quem a hora nunca soará.
Se queres colher a suave paz e o descanso, discípulo, semeia as sementes do
mérito nos campos das colheitas futuras. Aceita as dores da nascença.
Afasta-te da luz do sol para a sombra, para dares mais espaço aos outros. As
lágrimas que regam o solo árido da dor e da tristeza fazem nascer as flores e
os frutos da retribuição cármica. Da fornalha da vida humana e do seu fumo
denso, saltam chamas aladas, chamas purificadas, que, erguendo-se alto, sob o
olhar cármico, tecem por fim o tecido glorioso das três vestes do Caminho (73).
A veste Shangna, (74) é certo, pode comprar a luz eterna. A veste Shangna, por si só, dá o
Nirvana da destruição; pára o renascer, mas, ó Lanu, também mata a compaixão.
Os Budas perfeitos, que vestem a glória do Dharmakaya, já não podem
contribuir para a salvação humana. Ai de nós! Devem as personalidades ser
sacrificadas a uma só? Deve a humanidade ser sacrificada ao bem de
indivíduos?
Aprende, ó principiante, que este é o caminho aberto, o caminho para a
felicidade egoísta, evitado pelos Bodhisattvas do Coração Secreto, os Budas
da Compaixão.
Viver para servir a humanidade é o primeiro passo. Praticar as seis virtudes
gloriosas (75) é o segundo.
Vestir a veste humilde do Nirmanakaya é rejeitar para si a felicidade eterna,
para poder auxiliar a salvação humana. Chegar à felicidade do Nirvana, mas
renunciar a ela, é o passo supremo, final - o mais alto no caminho da
renúncia.
Aprende, ó discípulo, que é este o caminho secreto, escolhido pelos Budas da
perfeição, que sacrificaram a sua Personalidade a personalidades mais fracas.
Mas, se a doutrina do coração é alta demais para ti, se precisas te auxiliar
a ti próprio e receias oferecer auxílio aos outros - então, tu de coração
tímido, acautela-te a tempo; contenta-te com a doutrina ocular da Lei.
Continua esperando. Porque se o Caminho Secreto não é atingível hoje, amanhã (76) estará ao
teu alcance, Aprende que não há esforço, por pequeno que seja quer no bom
sentido, quer no mau - que possa perder-se e desaparecer no mundo das causas.
Mesmo o fumo dado ao vento não é sem rastro. “Uma palavra brusca dita em
vidas passadas não se perde, mas renasce sempre” (77). A pimenteira não produz rosas, nem a estrela de prata do jasmim se
torna espinho ou cardo.
Podes criar hoje tuas oportunidades de amanhã. Na Grande Jornada (78), as
causas semeadas cada hora produzem cada qual a sua colheita de efeitos,
porque uma justiça inalterável rege o mundo. Com o vasto alcance de ação
infalível ela traz aos mortais vida de alegria ou de angústia, a prole
cármica dos nossos pensamentos e ações anteriores.
Aceita, pois, tanto quanto o mérito te reserva, ó de coração paciente.
Anima-te e contenta-te com a sorte. Tal é o teu Carma, o Carma do ciclo dos
teus nascimentos, o destino daqueles que, na sua dor e tristeza, nascem a ti
ligados, riem e choram de vida a vida, presos às tuas ações anteriores.
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Age tu por eles hoje, e eles agirão por ti amanhã.
É do botão da renúncia da sua própria personalidade que nasce o fruto doce da
libertação final.
Condenado a perecer é aquele que por medo de Mara deixa de auxiliar os
homens, receando agir em proveito próprio. O peregrino que quer refrescar os
seus membros lassos em águas correntes, mas não mergulha por medo à corrente,
arrisca-se a morrer de calor. A inação baseada no medo egoísta não pode dar
senão mau fruto.
O devoto egoísta vive inutilmente. Vive em vão o homem que não realiza na
vida a obra para que nasceu.
Segue a roda da vida; segue a roda do dever para com a tua raça e os do teu
sangue, para com o amigo e o inimigo, e fecha a tua mente tanto aos prazeres
como à dor. Esgota a lei da retribuição cármica. Adquire siddhis (79) para o
teu nascimento futuro.
Se não podes ser o sol, sê então o humilde planeta. Sim, se te é impossível
brilhar como o sol do meio-dia sobre o monte nevado da pureza eterna, então
escolhe, ó neófito, uma carreira mais humilde.
Aponta o caminho - por vagamente que o faças, e perdido entre a multidão -
como a estrela da tarde àqueles que caminham pela escuridão.
Olha Migmar (80), quando nos seus véus carmesins o seu olhar se derrama sobre a Terra
que dorme. Olha a aura de fogo da mão de Lhagpa (81) estendida com amorosa proteção por sobre as cabeças dos seus ascetas.
Ambos são agora servos de Nyima (82), ficando, na sua ausência, como sentinelas silenciosas na noite.
Foram, contudo, em kalpas passados, Nyimas brilhantes, e talvez em dias
futuros se tornem outra vez dois sóis. Tais são as descidas e subidas da lei
cármica na natureza.
Sê, ó Lanu, como eles. Dá luz e conforto ao peregrino cansado, e procura
aquele que sabe ainda menos do que tu; que na sua desolação miserável está
faminto do pão da sabedoria e do pão que alimenta a sombra, sem Mestre,
esperança ou consolação, e fá-lo ouvir a Lei.
Dize-lhe, ó candidato, que aquele que faz do orgulho e do egotismo servos da
devoção; que aquele que, tenaz da sua existência, em todo o caso depõe a sua
paciência e submissão à Lei como uma flor aos pés de Shakya-Thub-pa (83), se torna
um Srotapatti (84) neste nascimento. Os Siddhis da perfeição
podem ainda estar longe, muito longe; mas está dado o primeiro passo, ele
entrou para o rio, e pode adquirir a visão da águia das montanhas, o ouvido
da tímida corça.
Dize-lhe, ó aspirante, que a verdadeira devoção pode tornar a dar-lhe o
conhecimento, aquele conhecimento que era seu nas suas vidas anteriores. A
visão dévica e o ouvido dévico não se podem obter em uma breve vida.
Sê humilde, se queres adquirir a sabedoria: sê mais humilde ainda,
quando a tiveres adquirido.
Sê como o oceano, que recebe todos os rios e riachos. A calma imensa do
oceano não se perturba; recebe-os e não os sente.
Domina o teu ser interior com o teu ser divino. Domina o divino com o eterno.
Sim, grande é aquele que mata o desejo: maior ainda é aquele em quem a divina
Personalidade matou o próprio conhecimento do desejo.
Põe-te de guarda ao inferior, para que não macule o superior.
O caminho para a libertação final está dentro da tua personalidade. Esse
caminho começa e acaba fora da personalidade (85).
Sem elogios de todos os homens e humilde é a mãe de todos os rios na vista
orgulhosa de Tirthika (86); vazia a forma humana, ainda que cheia das águas suaves de Amrita ao
olhar dos insensatos. E, contudo, a origem dos rios sagrados é a terra
sagrada (87), e aquele que possui a. sabedoria é respeitado por todos os homens.
Arhans e Sábios da visão ilimitada (88) são raros como a flor da árvore Udumbara. Os Arhans nascem à
meia-noite, com a planta sagrada de nove e sete caules (89),
a flor sagrada que desabrocha e floresce na escuridão, saída do orvalho puro
e do leito gelado das alturas nevadas, alturas que nenhum pé pecador pisou.
Nenhum Arhan, ó Lanu, se torna um naquela vida em que pela primeira vez a
Alma começa a ansiar pela libertação final. E, contudo, ó ansioso, a nenhum
guerreiro oferecendo-se voluntariamente para a terrível luta entre o vivo e o
morto (90), a nenhum recruta pode ser recusado o
direito de entrar no caminho que conduz ao campo de batalha.
Porque ou vence ou cai.
Sim, se vence, o Nirvana será seu.
Antes de abandonar a sua sombra, de enjeitar a sua veste mortal, essa causa
abundante de angústia e de dor ilimitável, os homens honrarão nele um Buda
grande e sagrado.
E se cai, mesmo assim não cai em vão; os inimigos que abateu na última
batalha não tornarão a viver na sua próxima encarnação.
Mas, se queres chegar ao Nirvana, ou rejeitar esse prêmio (91), não
deixes o fruto da ação e da inação ser o teu motivo, ó de coração indômito.
Aprende que ao Bodhisattva que troca a libertação pela renúncia para vestir
as angústias da vida secreta (92),
chama-se três vezes venerado, ó candidato à dor através dos ciclos.
O Caminho é um, discípulo, mas, no fim, duplo. Marcados estão os seus
estágios por quatro e sete portas. A uma extremidade a felicidade imediata, à
outra, felicidade renunciada. Ambos são a recompensa do mérito: a escolha a
ti pertence.
O um toma-se os dois, o Aberto e o Secreto (93). O primeiro leva à meta, o segundo à imolação de si próprio.
Quando ao permanente o mutável se sacrifica, o prêmio é teu; volta a gota ao
lugar de onde veio, O Caminho Aberto conduz à mudança imutável - Nirvana, o
estado glorioso de absoluto, a felicidade para além da concepção humana.
Assim, o primeiro caminho é a Libertação.
Porém, o segundo caminho é a Renúncia; por isso é chamado o Caminho da Dor.
O Caminho Secreto conduz o Arhan a uma angústia mental inexprimível; dor
pelos mortos que estão vivos (94),
e compaixão inútil pelos homens da tristeza cármica; o fruto do Carma não
ousam os Sábios fazer parar.
Porque está escrito: “Ensina a evitar todas as causas; à maré do efeito, como
à grande onda, deixarás seguir o seu curso”.
O Caminho Aberto, mal chegaste ao seu fim, levar-te-á a rejeitar o corpo
bodhisattvico, e far-te-á entrar para o estado três vezes glorioso de
Dharmakaya (95), que é o eterno esquecimento dos homens e do mundo.
A estrada secreta também conduz à felicidade paranirvânica - mas ao termo de
kalpas inúmeros; Nirvanas ganhos e perdidos por uma piedade e compaixão
ilimitadas pelo mundo de mortais iludidos.
Mas diz-se: “O último será o maior”. Samyak Sambuda, o Mestre da perfeição,
abandonou a sua Personalidade para salvação do mundo, parando no limiar do
Nirvana, o estado de pureza.
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Tens agora o conhecimento a respeito dos dois Caminhos. Chegará o momento em
que terás de escolher, ó de Alma ansiosa, quando tiveres chegado ao fim e
passado as sete portas. A tua mente está lúcida. Já não estás preso a
pensamentos ilusórios, porque aprendeste tudo. Sem véu está ante ti a
Verdade, e fita-te gravemente. Diz ela:
“Doces são os frutos do descanso e da libertação por causa da Personalidade;
porém, mais doces ainda os frutos do dever longo e amargo; sim, da renúncia
por amor aos outros, aos homens que sofrem”.
Aquele que se converte em Pratyeka-Buda só presta obediência à sua
Personalidade.
O Bodhisattva que ganhou a batalha, que tem o prêmio na mão, mas exclama, na
sua divina compaixão:
“Por amor aos outros abandono esta grande recompensa” - realiza a renúncia
maior.
Ele é um Salvador do Mundo.
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Repara! A meta da felicidade e o longo Caminho da dor estão no extremo fim.
Podes escolher um ou outro, ó aspirante à tristeza, através dos ciclos que
hão de vir!
Om
vairapani hum
TERCEIRO
FRAGMENTO - AS SETE
PORTAS
UPADHYA (96), a escola está feita. Anseio pela sabedoria. Rasgaste já o véu que
escondia o caminho secreto e ensinaste o Yana (97) superior. O teu servo aqui está, pronto para que o guies.
Está bem, Shravaka (98). Prepara-te, porque terás de seguir sozinho, O mestre só pode apontar
a direção. O caminho é um para todos, o meio de chegar à meta deve variar de
peregrino para peregrino.
Qual é que vais escolher, ó de coração indômito? O Samtan (99)
da doutrina dos olhos, o quádruplo Dhyana, ou abrirás caminho através das
Paramitas (100), seis em número, nobres portas da
virtude conduzindo a Bodhi e a Prajna, sétimo passo da sabedoria?
O caminho árduo do quádruplo Dhyana ondula montanha acima. Três vezes grande
é aquele que chega ao píncaro altíssimo.
As alturas de Paramita são atravessadas por um caminho ainda mais íngreme.
Tens de forçar o teu caminho através de sete portas, sete fortalezas
guardadas por poderes cruéis e ardilosos - paixões encarnadas.
Anima-te, discípulo; tem sempre presente o preceito áureo. Uma vez passada a
porta Srotapatti (101)
“aquele que entrou para o rio” cujo pé foi posto sobre o leito do rio
nirvânico nesta vida ou em qualquer vida futura, tem apenas diante dele mais
sete nascimentos, ó homem de vontade de ferro.
Repara. Que vês tu diante dos teus olhos, ó aspirante à sabedoria
divina?
“O manto da escuridão cobre a profundeza da matéria; nas suas dobras me
debato. Aprofunda-se, Senhor, à medida que para ele olho; um gesto da tua mão
o desfaz. Mexe-se uma sombra, arrastando-se como as dobras coleantes da
serpente... Cresce, alastra-se, e desaparece na escuridão”.
É a sombra de ti próprio fora do Caminho, caindo sobre a escuridão dos teus
pecados.
“Sim, Senhor, vejo o Caminho; o seu princípio fincado no lodo, o seu cimo
perdido na nirvânica luz gloriosa: e agora vejo os portais cada vez mais
estreitos na estrada árdua e espinhosa para Jnana" (102).
Vês bem, Lanu. Esses portais levam o aspirante a atravessar o rio para a
outra margem (103). Cada portal tem uma chave de ouro que
abre a sua porta; e essas chaves são:
1. Dana, a chave da caridade e do amor imortal.
2. Shila, a chave da harmonia nas palavras e nos atos, a chave que
contrabalança a causa e o efeito, não deixando mais espaço à ação cármica.
3. Kshanti, a paciência suave, que nada pode alterar.
4. Vairagya, a indiferença ao prazer e à dor, a ilusão vencida, só a verdade
vista.
5. Virya, a energia indômita que abre o seu caminho para a verdade suprema,
erguendo-se acima das mentiras terrenas.
6. Dhyana, cuja porta de ouro, uma vez aberta, leva o Naljor (104)
para o reino de Sat, o eterno, e para a sua contemplação sem fim.
7. Prajna, cuja chave faz de um homem um Deus, criando-o um Bodhisattva,
filho dos Dhyanis.
Tais são as chaves de ouro para esses portais.
Antes que te possas acercar do último, ó tecedor da tua liberdade, tens de
possuir estas Paramitas da perfeição - as virtudes transcendentais em número
de seis e dez - por esse longo caminho.
Porque, ó discípulo, antes que estivesses apto a encontrar o teu Mestre
frente a frente, o teu Senhor luz a luz, que foi que te disseram?
Antes que te possas acercar da porta mais próxima tens de aprender a separar
o teu corpo do teu espírito, e a viver no eterno. Para isto, tens de viver e
respirar em tudo, como tudo que vês respira em ti; sentir-te existir em todas
coisas, e todas as coisas em ti.
Não deixarás os teus sentidos fazer do teu espírito campo para o seu recreio.
Não separarás o teu ser do Ser, e do resto, mas fundirás o oceano na gota de
água, e a gota de água no oceano.
Assim estarás em acordo com tudo quanto vive; ama os homens como se eles
fossem os teus condiscípulos, discípulos do mesmo Mestre, filhos da mesma boa
mãe.
Professores há muitos; a Alma-Mestra (105)
é uma, Alaya, a Alma Universal. Vive nesse Mestre como o seu raio em ti. Vive
nos teus semelhantes como eles nela.
Antes que estejas no limiar do Caminho; antes que entres pela primeira porta,
tens de fundir os dois em um e sacrificar o pessoal à Personalidade
impessoal, e assim destruir o caminho entre as duas - Antahkarana (106).
Tens de estar pronto para responder a Dharma, a lei austera, cuja voz te
perguntará ao teu primeiro passo, ao teu passo inicial.
“Obedeceste a todas as regras, ó de altas esperanças?
“Puseste o teu coração e a tua mente de acordo com a grande mente e o grande
coração de toda a humanidade? Porque, como a voz sonora do grande rio, na
qual todos os sons têm o seu eco (107),
assim deve o coração daquele que queira entrar para o rio vibrar em resposta
a cada suspiro e a cada pensamento de tudo quanto vive e respira”.
Os discípulos podem ser comparados a cordas da vina que produz eco nas almas;
a humanidade, à sua caixa de ressonância; a mão que a vibra, à respiração
melodiosa da Grande Alma do Mundo. A corda que não vibra ao toque o Mestre,
em harmonia suave com todas as outras, quebra-se e é deitada fora. Assim as
mentes coletivas dos Lanu-Shravakas. Têm de ser afinadas para vibrar de
acordo com o espírito do Upadhya - uno com a Super-Alma - ou se quebrará.
Assim fazem os irmãos da sombra - os assassinos das suas Almas, a horrível
seita dos Dad-Dugpa (108).
Puseste o teu ser de acordo com a grande dor da humanidade, ó candidato à
luz?
Fizeste assim?... Podes entrar.
Antes, porém, que dês um passo no duro caminho da tristeza, é bom que
aprendas quais são os perigos da estrada.
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Armado com a chave da caridade, do amor e da terna misericórdia, podes estar
tranqüilo ante a porta de Dana, a porta que fica à entrada do Caminho.
Vê, ó ditoso peregrino! O portal que tens diante de ti é alto e largo, parece
de fácil acesso. A estrada que o atravessa é reta, suave e relvada. É como
uma clareira cheia de sol no meio da floresta escura e funda, um lugar na
terra refletindo o paraíso de Amitabha (109).
Ali rouxinóis de esperança e aves de penas radiosas cantam em bosques
verdejantes, trilando triunfos aos peregrinos sem receio. Cantam as cinco
virtudes do Bodhisattva, a fonte quíntupla do poder do Bodhi, e dos sete
degraus no conhecimento.
Passa, segue para diante!. Trouxeste a chave: estás salvo.
Para a segunda porta a entrada é verde também, mas é íngreme e serpenteia
montanha acima - sim, até ao cimo rochoso da montanha. Névoas cinzentas
cobrirão o seu píncaro rude e pedregoso, e para além será tudo escuridão. À
medida que avança, o cântico da esperança soa cada vez mais débil no coração
do peregrino. O arrepio da dúvida atinge-o; os seus passos tornam-se mais incertos.
Acautela-te com isto, ó candidato; acautela-te contra o medo que, como as asas
negras e silenciosas do morcego noturno, se alastra entre o luar da tua Alma
e a tua grande meta que surge na distância, muito longe ainda.
O medo, ó discípulo, mata a vontade e demora a ação. Se é falho da virtude
Shila, o peregrino tropeça, e pedras cármicas ferem-lhe os pés pelo caminho
pedregoso.
Pisa com segurança, ó candidato. Banha a tua alma na essência de Kshanti;
porque te acercas agora do portal que tem esse nome, a porta da fortaleza e
da paciência.
Não feches os olhos, nem percas de vista Dorje (110);
as setas de Mara atingem sempre o homem que não chegou ao Vairagya (111).
Não tremas. Sob o hálito do medo enferruja a chave de Kshanti; a chave
ferrugenta já não pode abrir.
Quanto mais avançares, mais e mais serão os perigos que cercarão os teus
passos. O caminho que segue para diante é iluminado por uma chama - a luz da
audácia ardendo no coração. Quanto mais ousares, mais conseguirás. Quanto
mais temeres, mais a luz esmorecerá - e só ela te pode guiar. Porque como o
último raio do sol no píncaro do alto monte é seguido pela noite escura
quando cessa, assim é a luz do coração. Quando se apaga, uma sombra negra e
ameaçadora cairá do teu coração sobre o Caminho, e prenderá os teus pés
pávidos no chão.
Acautela-te, discípulo, com essa sombra letal. Nenhuma luz que brilhe do
Espírito pode dispersar a escuridão da Alma inferior, a não ser que todo o
pensamento egoísta de lá tenha fugido, e que o peregrino diga: “Abdiquei
deste corpo que passa; destruí a causa; as sombras, meros efeitos, não podem
mais subsistir”. Porque teve lugar agora a última grande batalha, a guerra
final entre o ser superior e o inferior. Vê, o próprio campo da batalha se
engolfou na grande guerra, e deixou de existir.
Mas, uma vez passada a porta de Kshanti, está dado o terceiro passo. O teu
corpo é teu escravo. Prepara-te agora para a quarta porta, a porta das
tentações que enleiam o homem interior.
Antes que possas acercar-te dessa meta, antes que a tua mão se erga para
levantar o fecho da quarta porta, deves ter dominado todas as alterações
mentais em ti, e matado o exército das sensações-pensamentos que, sutis e
insidiosas, se introduzem, sem que tu queiras, no sacrário luzente da Alma.
Se não queres que elas te matem, deves tornar inofensivas as tuas criações,
os filhos dos teus pensamentos, invisíveis, impalpáveis, que enxameiam em
torno à humanidade, prole e herdeiros do homem e das suas presas terrestres.
Tens de estudar o vácuo do aparentemente cheio, o cheio do aparentemente
vazio. Ó aspirante intemerato, olha bem para dentro do poço do teu coração, e
responde. Conheces bem os poderes da Personalidade, ó observador das sombras
externas?
Se os não conheces, está perdido.
Porque, no quarto caminho, a mais leve brisa da paixão ou do desejo fará
tremer a luz firme nos muros brancos e puros da Alma. A mais pequena onda de
ânsia ou de saudade pelos dons ilusórios de Maya, ao passares por Antahkarana
- o caminho que há entre o teu Espírito e a tua Personalidade, a estrada-real
das sensações, as despertadoras de Ahamkara (112)
- um pensamento rápido como a luz do relâmpago far-te-á perder os teus três
prêmios - os três prêmios que ganhaste. Aprende que no Eterno não há mudança.
“Abandona para sempre as oito cruéis angústias; se não, por certo que não
chegaste à sabedoria, nem ainda à libertação”, diz o grande Senhor, o
Tathagata da perfeição, “aquele que seguiu as passadas dos seus predecessores
(113).
Austera e exigente é a virtude de Vairagya. Se queres possuir o seu caminho,
tens de ter a tua mente, as tuas percepções mais do que nunca livres da ação
mortal.
Tens de te saturar do puro Alaya, de te identificar com o pensamento da alma
da Natureza. Unificado com ele és invencível; separado dele, torna-te o campo
de recreio de Samvritti (114),
origem de todas as ilusões do mundo.
Tudo é transitório no homem, salvo a pura e clara essência do Alaya. O homem
é o seu raio cristalino; por dentro um raio de luz imaculada, uma forma de
barro material na superfície inferior. Esse raio é o teu guia de vida e a tua
Personalidade verdadeira, a sentinela e o pensador silencioso, a vítima do
teu ser inferior. A tua Alma não pode ser ferida senão através do teu corpo
pecador; domina e rege os dois e estarás salvo quando estiveres cruzando as
proximidades da Porta do Equilíbrio.
Anima-te, audaz peregrino, para a outra margem. Não dês ouvidos ao segredar
das hostes de Mara; afasta os tentadores, esses espíritos de má índole, os
Lhamayn (115) no espaço infinito.
Mantém-te firme! Acerca-te agora do portal médio, da porta da dor, com as
suas dez mil armadilhas.
Domina os teus pensamentos, ó ansioso pela perfeição, se queres atravessar o
limiar dela.
Domina a tua alma, ó ansioso pelas verdades eternas, se queres chegar à meta.
Concentra o olhar da tua alma na luz única e pura, na luz que nada afeta, e
serve-te da tua chave de ouro.
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O árduo trabalho está feito, a tua tarefa quase finda. O grande abismo, que
se abria para te tragar, está quase passado.
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Atravessaste a vala que circula a porta das paixões humanas. Venceste já a
Mara e à sua horda furiosa.
Tiraste a impureza do teu coração e sangraste-o de desejos impuros. Mas, ó
combatente glorioso, a tua tarefa ainda não está no fim. Constrói alto, Lanu,
o muro que há de defender a tua Ilha Sagrada (116),
o dique que protegerá o teu espírito do orgulho e do contentamento ao
pensares no teu grande feito.
Um sentimento de orgulho macularia a tua obra. Sim: ergue forte o muro, não
vá o impulso feroz das ondas em guerra, que sobem e batem na sua costa,
vindas do grande Mundo do oceano de Maya, engolfar o peregrino e a ilha; -
sim, no próprio momento da vitória.
A tua “ilha” é a corça, os teus pensamentos os galgos que cansam e perseguem
o seu avanço até ao rio da vida. Ai da corça que é atingida pelos galgos
malignos antes que chegue ao vale do refúgio - Jnana-Marga (117),
“o caminho do puro conhecimento”.
Antes que te possas estabelecer em JnanaMarga e chamar-lhe teu, a tua Alma
tem de se tornar como o fruto maduro da mangueira: mole e doce como a sua
polpa dourada para as angústias dos outros, duro como o caroço desse fruto
para as tuas próprias dores e angústias, ó triunfador da alegria e da
tristeza.
Torna a tua Alma dura contra as armadilhas da tua personalidade; faze com que
ela mereça o nome de Alma de Diamante.
Porque, como o diamante enterrado fundo no coração vivo da terra não pode
refletir as luzes terrenas, assim são a tua mente e a tua Alma; imersos no
Jnana-Marga, nada devem refletir do meio ilusório de Maya.
Quando chegares a esse estado, os portais que tens de vencer no teu caminho
abrem de par em par as suas portas, para que passes e os poderes maiores da
natureza não têm força para te embargar o passo. Serás dono do sétuplo
caminho: mas só então o serás, ó candidato a provas indizíveis.
Até ali, espera-te uma tarefa muito mais difícil: tens de te sentir todo
pensamento, e contudo exilar da tua alma todos os pensamentos.
Tens de chegar àquela fixidez de espírito em que nenhuma brisa, por mais que
cresça, pode soprar um pensamento material para dentro dele. Assim
purificado, o sacrário deve ficar vazio de toda a ação, som ou luz da terra;
assim como a borboleta, atingida pela geada, cai morta no limiar - assim
todos os pensamentos materiais devem cair mortos ante o tempo.
Vê que está escrito:
“Antes que a chama dourada possa arder com um brilho firme, deve a lâmpada
estar guardada num lugar livre de toda a aragem”. Exposta à brisa volúvel, a
chama tremerá, e, tremendo, lançará sombras enganosas, negras, e sempre
variantes, sobre o sacrário branco da Alma.
E então, ó perseguidor da verdade, a alma da tua mente tornar-se-á como um
elefante louco, que se enfurece na floresta. Tomando as árvores por inimigos
vivos, morre ao tentar matar as sombras sempre incertas bailando no muro dos
rochedos inundados de sol.
Acautela-te, não vá a tua alma, ao cuidar da tua Personalidade, perder pé no
terreno do conhecimento Deva.
Acautela-te, não vá a tua Alma, ao esquecer a Personalidade, perder o seu
domínio sobre o seu espírito trêmulo, perdendo assim o justo prêmio das suas
conquistas.
Acautela-te contra a mudança, porque a mudança é o teu grande inimigo. A
mudança lutará contigo, afastar-te-á, atirar-te-á para fora do caminho que
trilhas, para dentro de pântanos viscosos de dúvida.
Prepara-te e acautela-te a tempo. Se experimentaste e falhaste, ó lutador
indômito, não percas, porém, a coragem: continua a lutar, e volta ao embate
repetidamente.
O guerreiro destemido, ainda que o sangue da sua vida lhe escorra das feridas
abertas, continuará a atacar o inimigo, expulsálo-á do seu forte, vencê-lo-á
mesmo, antes que ele próprio expire. Agi, pois, todos vós que falhais e que
sofreis, como esse soldado; e do forte da vossa Alma expulsai todos os vossos
inimigos - a ambição, a cólera, o ódio, até a sombra do desejo - mesmo quando
tiverdes falhado...
Lembra-te, tu que lutas pela libertação humana (118),
que cada falência é um triunfo, e cada tentativa sincera a seu tempo recebe o
seu prêmio. Os santos germes que brotam e crescem invisíveis na Alma do
discípulo, dobram como juncos mas não quebram, nem podem eles perder-se. Mas
quando a hora soa, desabrocham (119).
............................................................................................
Mas se vieste preparado, então não temas nada.
............................................................................................
Daqui em diante é claro o teu caminho, que vai direto à porta de Virya, o
quinto dos sete portais. Estás agora no caminho que conduz ao porto do
Dhyana, o sexto portal, o portal Bodhi.
A porta do Dhyana é como um vaso de alabastro, branco e transparente; dentro
dele arde uma luz firme e dourada, a chama de Prajna, que de Atman irradia.
Esse vaso és tu.
Afasta-te dos objetos dos sentidos, seguiste pelo caminho da visão, pelo
caminho da audição, e estás agora na luz do conhecimento. Chegaste agora ao
estado de Titiksha (120).
Ó Naljor, estás salvo.
............................................................................................
Aprende, vencedor dos pecados, que uma vez que um Sowani (121)
tenha atravessado o sétimo caminho, toda a natureza estremece de alegria e
se sente submissa. A estrela prateada eis que cintila esta nova às flores da
noite, o riacho murmura esse conto às pedras; as ondas escuras do oceano o
cantam aos rochedos cheios de espuma, as brisas perfumadas cantam-no aos
vales, e os pinheiros altivos segredam misteriosamente: “Surgiu um Mestre, um
Mestre do Dia" (122).
Ele se ergue agora como uma coluna branca ao ocidente, sobre cuja fronte o
sol nascente do pensamento eterno derrama as suas primeiras ondas gloriosas.
O seu espírito, como um oceano ilimitado em calmaria, alastra-se no espaço
sem praias. Ele tem a vida e a morte na sua mão poderosa.
Sim, ele é poderoso. O poder vivo tornado livre nele, esse poder que é Ele
próprio, pode erguer o tabernáculo da ilusão muito acima dos Deuses, a cima
dos grandes Brahm e Indra. É agora, por certo, que ele conseguirá o seu
grande prêmio!
Não usará ele os dons, que isso confere, para seu descanso e felicidade, para
seu proveito e glória tão bem ganhos - ele o subjugador da grande ilusão?
Não, ó candidato à ciência secreta da natureza! Se quiseres seguir os passos
do santo Tathagata, esses dons e poderes não são para ti próprio. Irás assim
por um dique às águas nascidas em Someru (123)?
Irás desviar o rio para teu serviço, ou fazê-lo subir até à sua nascente,
pelos cerros dos ciclos?
Se quiseres que esse rio de conhecimento bem ganho, de sabedoria de divina
origem, fique uma corrente pura, não deves deixar que ele se torne um lago
estagnado.
Aprende: se quiseres tornar-te cooperador de Amitabha, a Idade Ilimitada,
então deves derramar a luz adquirida, como os dois Bodhisattvas (124),
sobre a extensão de todos os três mundos (125).
Aprende que a corrente de conhecimento sobre-humano e a sabedoria Deva, que
adquiriste, deve, de ti, o canal de Alaya, ser derramada para outro leito.
Aprende, ó Naljor, tu do caminho secreto, que as suas águas puras devem ser
empregadas para tornar mais doces as ondas amargas do oceano - esse grande
mar de sofrimento formado pelas lágrimas dos homens.
Ai de ti! Uma vez que te tornaste como a estrela fixa no alto céu, esse claro
orbe celeste deve, das profundezas do espaço, brilhar para todos, menos para
si mesmo; dar luz a todos, e a nenhum tirá-la.
Ai de ti! Uma vez tornado como a neve pura nos vales das montanhas, fria e
insensível ao tato, quente e protetora para a semente que dorme fundo sob o
seu seio - agora é essa neve que deve receber a geada mordente, os vendavais
do norte, protegendo assim do seu dente fino e cruel a terra que contém a
colheita prometida, a colheita que dará pão aos que têm fome.
Por ti próprio condenado a viver através de Kalpas futuros sem que os homens
te vejam ou te agradeçam; apertado como uma pedra contra inúmeras outras que
formam o “Muro da Guarda" (126),
tal é o teu futuro se passares a sétima porta. Construído pelas mãos de
muitos Mestres da Compaixão, erguido pelas suas torturas, cimentado pelo seu
sangue, ele proteje a humanidade, desde que o homem é homem, livrando-a de
novas e maiores angústias e tristezas.
O homem, porém, não o vê, não o quer ver, nem quer dar ouvidos à palavra da
Sabedoria, porque não a conhece.
Mas tu ouviste-a, tu sabes tudo, ó de Alma ansiosa e imaculada... e tens de
escolher. Escuta ainda.
No Caminho de Sowan, ó Srotapatti, segues seguro. Sim, nesse Marga, onde
apenas a escuridão vem ao encontro do peregrino cansado, onde, rasgadas por
espinhos, as mãos gotejam sangue, os pés são rasgados por pedras agudas e
duras, e Mara emprega as suas armas mais fortes - para além dele, imediatamente
há um grande prêmio.
Calmo e impassível, o peregrino vai até ao rio que conduz ao Nirvana. Ele
sabe que quanto mais os seus pés sangrarem, mais lavado e limpo ele próprio
ficará. Ele sabe bem que depois de sete breves e transitoriais nascenças, o
Nirvana lhe pertencera...
Tal é o caminho de Dhyana, o porto do iogue, a meta sagrada que o Srotapattis
buscam.
Não é assim quando atravessou e conquistou o caminho Arhat (127).
Ali Klesha (128) é destruído para sempre, e as raízes de
Tanha (129) arrancadas; mas pára, discípulo...
escuta uma palavra ainda. Podes tu destruir a divina compaixão? A compaixão
não é um atributo. É a Lei das leis - a harmonia eterna, o próprio Ser de
A1aya, uma essência universal sem praias, a luz da justiça eterna, o acordo
de tudo, a lei do eterno amor.
Quanto mais com ela te unificares, fundindo o teu ser no seu ser, tanto mais
a tua Alma se unirá àquilo que é, tanto mais te tornarás a Compaixão Absoluta
(130).
Tal é o caminho Arya, caminho dos Budas da perfeição.
Mas o que significam os livros sagrados que te fazem dizer:
“Om! Creio que nem todos os Arhats obtêm o doce gozo do caminho nirvânico.
“Om! Creio que no Nirvanadharma não entram todos os Budas" (131).
Sim, no caminho de Arya já não és um Srotapatti, és um Bodhisattva (132). Atravessaste o rio. É certo que tens
direito à veste do Dharmakaya; mas um Samhbogakaya é maior do que um Nirvani,
e maior ainda é um Nirmanakaya - o Buda da Compaixão (133).
Inclina agora a tua fronte e escuta bem, ó Bodhisattva - a compaixão fala e
diz:
“Pode haver felicidade quando tudo quanto vive tem de sofrer? Quererás
salvar-te ouvindo todo o mundo chorar?”
Agora ouviste o que se disse:
Chegarás ao sétimo degrau e atravessarás a porta do conhecimento final, mas
apenas para tomares a dor por esposa - se queres ser Tathagata, seguir os
passos do teu predecessor, conservar-te altruísta até ao fim sem fim.
Estás iluminado - escolhe o teu caminho.
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Olha a luz suave que inunda o céu oriental. Céu e terra unem-se em gestos de
adoração. E dos poderes quadruplamente manifestados sobe um cântico de amor,
tanto do fogo que brilha como da água que corre, da terra perfumada e do
vento que passa.
Escuta!... do grande e insondável vórtice daquela luz dourada em que o
Vencedor se banha, toda a voz sem palavras da natureza se ergue para em mil
tons proclamar:
Um
peregrino regressou da “outra margem”
Notas
1. A palavra páli Iddhi eqüivale ao
Siddhis sânscrito, as faculdades “psíquicas” os poderes anormais do homem. Há
duas espécies de Siddhis - um grupo que compreende as energias inferiores,
grosseiras, “psíquicas” e mentais, ao passo que o outro exige o mais alto
cultivo das capacidades espirituais. Diz Krishna no Shrimad Bhagavat:
“Aquele
que está ocupado na execução da Ioga, que venceu os seus sentidos e
concentrou o seu espírito em mim (Krishna) - a tais iogues como esse
estão todos os Siddhis prontos a servir." Voltar.
2. A voz sem som, ou a “voz do
silêncio”. Literalmente, isto devia talvez traduzir-se “voz no som
espiritual”, visto que Nada é o equivalente sânscrito do termo Senzar. Voltar.
3. Dharana é a concentração intensa e
perfeita do espírito sobre qualquer objeto interior, acompanhada da abstração
completa de tudo quanto pertença ao universo exterior, ou mundo dos sentidos.
Voltar.
4. O “grande Mestre” é o termo que os
chelas empregam para designar a Personalidade Superior. Equivale ao
Avalokiteshvara, e é o mesmo que o Adi-Buda dos ocultistas do budismo, que o
Atmandos Brâmanes, e que o Christos dos antigos Gnósticos. Voltar.
5. “Alma” é aqui empregado para
designar o Eu ou Manas humano, a que na nossa oculta divisão setenária se
chama a Alma humana, para distingui-la das Almas espirituais e animais. Voltar.
8. Attavada, a heresia da crença na
Alma, ou antes, na separação da Alma ou Personalidade do Ser universal, uno e
infinito. Voltar.
9. O Tattvajnani é o conhecedor ou
discriminador dos princípios na natureza e no homem; e Atmajnani é o
conhecedor de Atman ou da Personalidade Única universal. Voltar.
10. Kala Hamsa, a ave ou cisne. Diz o Nadavindupanishat (Rig Veda)
traduzido pela Sociedade Teosófica de Kumbakonam - “Considera-se a sílaba A
como a asa direita da ave Amsa, U a asa esquerda, M a cauda, e o Ardhamatra
(meiometro) diz-se ser a sua cabeça”. Voltar.
11. A eternidade tem para os orientais um sentido diverso do que tem para
nós. Representa em geral os 96 anos ou idade de Brama, a duração de um
Mahakalpa, ou seja, um período de 311.040.000.000.000 anos. Voltar.
12. Diz o citado Nadavindu, “Um iogue que cavalga o Hamsa (assim
contempla sobre o AUM) não é afetado por influências cármicas ou efeitos
de pecados”. Voltar.
14. Os três estados de consciência, que são: Jagrat, o de vigília;
Svapna, o de sonho; e Sushupti, o estado de sono profundo.
Estas três condições iogues conduzem ao quarto, que é - Voltar.
15. O Turiya, o que está além do estado do sono sem sonhos, um
estado de alta consciência espiritual. Voltar.
16. Alguns místicos orientais indicam sete planos do ser, os sete Lokas
ou mundos espirituais dentro do corpo de Kala Hamsa, o cisne fora do tempo e
do espaço, conversível em o cisne dentro do tempo, quando se torna
Brama em vez de Braman. Voltar.
19. A região astral, o mundo psíquico das percepções super-sensuais e das
visões ilusórias - o mundo dos médiuns. É a grande “serpente astral” de Éliphas
Lévi. Nenhuma flor colhida nesse mundo foi alguma vez trazida para a terra
sem que trouxesse a sua serpente enroscada na haste. É o mundo da grande
ilusão. Voltar.
20. A região da plena consciência espiritual, para além da qual já não há
perigo para quem lá chegou. Voltar.
21. Ao Iniciado, que conduz o discípulo, pelos conhecimentos que lhe
ministra, à sua segunda nascença, ou nascença espiritual, chama-se o pai,
Guru ou Mestre. Voltar.
23. Mara é, nas religiões exotéricas, um demônio, um Asura, mas na
filosofia exotérica é a personificação da tentação pelos vícios humanos;
traduzido literalmente, quer dizer “aquilo que mata” a alma. É representado
como um rei (dos Maras) com uma coroa onde brilha uma jóia de tal fulgor que
cega aqueles que para ela olham, e esse fulgor representa, é claro, a
fascinação que o vício exerce sobre certas naturezas. Voltar.
27. O “Poder” e a “Mãe do Mundo” são nomes dados a Kundalini - um dos
poderes místicos iogues. É o Budi considerado como princípio ativo e não
passivo (o que ele em geral é quando o consideramos como simples veículo ou
cofre do espírito supremo, Atman). É força eletro-espiritual, o poder criador
que, quando chamado à agir, pode tão facilmente matar como criar. Voltar.
28. Kechara, “o que passeia”, ou “anda”, nos céus. Conforme se
explica no sexto Adhyaya dessa rainha das obras místicas, os Jnaneshvari
- o corpo do iogue se torna como que feito de vento; como “uma nuvem de onde
nasceram membros” depois do que - “ele (o iogue) contempla as cousas
para além dos mares e das estrelas; ouve e compreende a linguagem dos Devas
(deuses) e percebe o que se está passando no espírito da formiga”. Voltar.
31. Os seis princípios que constituem o homem; isto acontece quando a
personalidade inferior é destruída e a individualidade íntima se funde e
perde no sétimo espírito (Atman). Voltar.
34. Manasa Rupa. Assim como o Kama Rupa se refere ao ser astral ou
pessoal. Manasa Rupa se relaciona com a individualidade, ou Eu reencarnante,
cuja consciência no nosso plano, ou Manas inferior, tem de ser paralisada. Voltar.
35. Kundalini, o poder serpentino ou fogo místico; chama-selhe o
poder serpentino ou anelar por causa do seu progresso ou caminho
espiraliforme no corpo do asceta que está desenvolvendo em si esse poder. É
um poder oculto ou foático elétrico e ígneo, a grande força primitiva que
está por dentro de toda a matéria orgânica e inorgânica. Voltar.
36. Este Caminho é mencionado em todas as obras místicas. Como diz
Krishna no Jnaneshvari: “Quando se contempla este caminho... quer
sigamos para o Oriente em flor, quer para as câmaras do Ocidente, Sem
movimento, é portador do arco, é a viagem nesta estrada. Neste
caminho, qualquer que seja o lugar para onde queiramos ir, esse lugar nos
tornamos”. “Tu és o caminho”. - diz-se ao Adepto Guru, e diz este ao
discípulo, depois da Iniciação. “Eu sou a estrada e o Caminho” - diz um outro
Mestre. Voltar.
38. Tanha - a vontade de viver, o medo da morte e amor à vida,
aquela força ou energia que causa o renascer. Voltar.
39. Os sons místicos, ou a melodia mística, ouvidos pelo asceta no
princípio do seu ciclo de meditação, chamado Anahatashabda pelos iogues. O
Anahaha é o quarto dos Chakras. Voltar.
40. Isto quer dizer que no sexto estágio de desenvolvimento, que, no
sistema oculto, é Dharana, cada sentido, como faculdade individual tem de ser
“morto” (ou paralisado) neste plano passando a ser, e fundindo-se com o
sétimo sentido, o mais espiritual. Voltar.
41. Dharana é a concentração intensa e perfeita do espírito sobre
qualquer objeto interior, acompanhada da abstração completa de tudo quanto
pertença ao universo exterior, ou mundo dos sentidos. Voltar.
42. Cada estágio de desenvolvimento na Raja Ioga é simbolizado por uma
figura geométrica. Esta é o triângulo sagrado e precede o Dharana. O D é o
sinal dos altos chelas, ao passo que outra espécie de triângulo é o dos altos
Iniciados. O “1” é o símbolo de que Buda falou e que empregou como símbolo da
forma incorporada de Tathagata quando liberta dos três métodos de Prajna. Os
estágios preliminar e inferiores uma vez passados, o discípulo já não vê o D
mas sim o -, a abreviatura do -, o setenário completo. A sua verdadeira forma
não é aqui dada porque é quase certo que seria aproveitada por qualquer
charlatão e profanada no seu uso para fins fraudulentos. Voltar.
43. A estrela que brilha nas alturas é a Estrela da Iniciação. O sinal
dos Shaivas, ou devotos da seita de Shiva, patrono de todos os iogues, é um
ponto circular negro, agora, talvez, símbolo do sol, mas o da Estrela da
Iniciação no ocultismo de outros tempos. Voltar.
45. Dhyana é o último estágio antes do final, nesta terra, a não ser que
nos tornemos pleno Mahatma. Como já se disse, neste estado o Raja Ioga é
ainda espiritualmente consciente da sua personalidade e da operação dos seus
princípios superiores. Mais um passo, e estará no plano para além do Sétimo,
o quarto, segundo certas escolas. Estas, depois da prática de Pratyahara -
uma educação preliminar, para dominar o espírito e os pensamentos - contam
Dharana, Dhyana e Samadhi, e envolvem os três sob o nome genérico de
Sannyama. Voltar.
46. Samadhi é o estado em que o asceta perde a consciência de toda a
individualidade, incluindo a sua. Torna-se o Todo. Voltar.
47. Os quatro modos da verdade são, no budismo do norte: Ku, o sofrimento
ou miséria; Tu, a reunião das tentações; Mu, a destruição delas; e Tau, o
Caminho. Os “cinco impedimentos” são o conhecimento da angústia, a verdade a
respeito da fraqueza humana, restrições opressivas, e a absoluta necessidade
de separação de todas as peias da paixão, e mesmo dos desejos. O “Caminho da
salvação” é o último. Voltar.
48. No portal da reunião está o rei dos Maras, o Maha-Mara, tentando
cegar o candidato com o brilho da sua jóia. Voltar.
49. Este é o quarto dos cinco caminhos do renascer, que conduzem e
arrastam todos os seres humanos para um perpétuo estado de tristeza e de
alegria. Esses caminhos não passam de subdivisões do caminho único, o caminho
seguido pelo Carma. Voltar.
50. Às duas escolas da doutrina do Buda, a esotérica e a exotérica,
chama-se respectivamente a doutrina do “coração” e a doutrina dos “olhos”. A
Budhidharma, a religião da sabedoria da China - donde os nomes passaram para
o Tibete - chamou-lhes os homens do Tsung (escola esotérica) e os Kiau
(escola exotérica). A primeira é assim chamada porque é o ensinamento que
emanou do coração do Gautama Buda, ao passo que a doutrina dos olhos foi
produto da sua cabeça ou cérebro. A doutrina do coração também se chama o selo
da verdade, ou o verdadeiro selo, símbolo esse que se encontra encimando
quase todas as obras esotéricas. Voltar.
51. A árvore da sabedoria é o título dado pelos aderentes da Religião da
Sabedoria (Bodhidharma) àqueles que atingiram a altura do conhecimento
místico - aos Adeptos. A Nagarjuna, o fundador da Escola Madhyrnika, chamavam
a “Árvore-Dragão”, sendo o dragão o símbolo da sabedoria e do conhecimento. A
árvore é respeitada porque foi sob a árvore Bodhi (da sabedoria) que Buda
recebeu a sua nascença e esclarecimento, pregou o seu primeiro sermão, e
morreu. Voltar.
53. A Alma de
Diamante, Vajrasattva, um título do Buda supremo, Senhor de todos os
mistérios, chamado Vajradhara e Adi-Buda. Voltar.
55. Da
doutrina de Shin-Sien, que ensina que a mente humana é como um espelho que
atrai e reflete todos os átomos de pó, e, como esse espelho, tem de ser
cuidada e limpa todos os dias. Shin-Sien foi o sexto patriarca da China
Setentrional, que ensinou a doutrina esotérica do Bodhidharma. Voltar.
56. Os Budistas
do Norte chamam ao Eu reencarnante o Homem Eterno, que se torna, em união com
o seu ser superior, um Buda. Voltar.
58. A fórmula
costumeira que precede as escrituras budistas, e significa que o que segue
foi notado de direta tradição oral do Buda e dos Arhats. Voltar.
60.
Rathapala, o grande Arhat, assim se dirige a seu pai na lenda chamada
Rathapala Sutrasanne. Mas como todas essas lendas são alegóricas (por
exemplo: o pai de Rathapala tem uma casa com sete portas), compreende-se a
reprimenda àqueles que as aceitam literalmente. Voltar.
70. Todas as
tradições do Norte e do Sul concordam em mostrar que Buda saiu da sua solidão
logo que resolveu o problema da vida - isto é, recebeu o esclarecimento
interior - e ensinou publicamente aos homens. Voltar.
71. Segundo o
ensinamento esotérico, cada Eu espiritual é um raio de um espírito
planetário. Voltar.
73. Esta
mesma reverência popular chama “Budas da Compaixão” àqueles Bodhisattvas que,
tendo chegado ao grau de Arbat (isto é, tendo completado o quarto ou sétimo
Caminho), recusam-se a passar para o estado nirvânico ou “vestir a veste do
Dharmakaya e passar para a outra margem”, visto que então já não poderiam
auxiliar os homens mesmo o pouco que o Carma permite. Preferem continuar
invisivelmente (no espírito, por assim dizer) no mundo, e contribuir para a
salvação humana, influenciando os homens a seguir a boa Lei, isto é,
levando-os para o Caminho da Virtude. É costume entre os exotéricos do
budismo do Norte venerar estes grandes seres como santos e mesmo rezar a
eles, como fazem os gregos e os católicos aos seus santos e padroeiros; mas
os ensinamentos esotéricos não permitem essas orações. Há grande diferença
entre as duas doutrinas. O exotérico laico mal sabe o verdadeiro sentido da
palavra Nirmanakaya - daí a confusão e as explicações insuficientes dos
orientalistas. Por exemplo: Schlagintweit crê que Nirmanakaya significa forma
física assumida pelos Budas quando encarnam na terra - “o menos sublime dos
seus invólucros terrenos” (ver O Budismo no Tibete) - e passa a dar
opinião inteiramente falsa sobre o assunto. A verdadeira doutrina é, porém,
esta:
Os três
corpos ou formas búdicas são denominados:
I. Nirmanakaya.
II.
Sambhogakaya.
III.
Dharmakaya.
O primeiro
é aquela forma etérea que ele assumiria quando, abandonando o corpo físico,
aparecesse no corpo astral -tendo a mais todos os conhecimentos de um Adepto.
O Bodhisattva desenvolveu-o em si mesmo à medida que avança no caminho. Tendo
chegado à meta e recusado a fruição da recompensa, permanece na terra como um
Adepto; quando morre, em vez de entrar para o Nirvana, fica no corpo glorioso
que para si teceu, invisível à humanidade não-iniciada, para velar por ela e
protegê-la.
Sambhogakaya
(literalmente “Corpo de Compensação”) é o mesmo Nirmanakaya, mas com o brilho
adicional de três perfeições, uma das quais é a obliteração de todas as
preocupações terrenas.
O corpo
Dharmakaya é o de um Buda completo, isto é, não é corpo nenhum, mas o sopro
ideal; a consciência imersa na consciência universal, ou a alma despida de
todos os atributos.
Uma vez
tornado um Dharmakaya, um Adepto ou Buda abandona toda a possível relação
com, ou pensamento ligado a esta terra. Assim, para poder auxiliar a
humanidade, um Adepto que adquiriu o direito ao Nirvana, “renuncia ao corpo
Dharmakaya”, falando misticamente; guarda, do Sambhogakaya, apenas os grandes
e completos conhecimentos, e fica no seu Nirmanakaya. A escola esotérica
ensina que Gautama Buda, com vários dos seus Arhts, é um Nirmanakaya deste
gênero, acima do qual, pela grande renúncia e sacrifício pela humanidade, não
existe ninguém. Voltar.
74. A veste
Shangna, do Shangnavesu de Rajagriha, o terceiro grande Arhat, ou patriarca,
segundo a terminologia que os orientalistas adaptam para a hierarquia dos
trinta e três Arhats que espalharam o budismo. “A veste Shangna” significa
metaforicamente a aquisição de sabedoria com que se entra para o Nirvana da
destruição (da personalidade). Literalmente, quer dizer a veste da Iniciação
dos neófitos. Edkins afirma que este tecido de ervas foi trazido para a China
do Tibete na dinastia do Tong. “Quando nasce um Arhan, esta planta
encontra-se crescendo num lugar limpo” - diz a lenda chinesa, assim como a
tibetana. Voltar.
84.
Srotapatti ou “aquele que entra na corrente do rio” do Nirvana, a não ser que
atinja a meta devido a razões excepcionais, raras vezes poderá atingir o
Nirvana em uma só vida. Em geral diz-se que um chela começa o esforço
ascensional em uma vida e o acaba ou chega à meta apenas na sua sétima
nascença depois dessa. Voltar.
86. Os
Tirthikas, sectários bramânicos de além dos Himalaias, são chamados infiéis
pelos budistas na terra sagrada, o Tibete, e vice-versa. Voltar.
88. A visão
ilimitada, ou seja, a visão psíquica, sobre-humana. Diz-se que um Arhan vê e
sabe tudo, perto ou longe que esteja. Voltar.
89. A veste
Shangna, do Shangnavesu de Rajagriha, o terceiro grande Arhat, ou patriarca,
segundo a terminologia que os orientalistas adaptam para a hierarquia dos
trinta e três Arhats que espalharam o budismo. “A veste Shangna” significa
metaforicamente a aquisição de sabedoria com que se entra para o Nirvana da
destruição (da personalidade). Literalmente, quer dizer a veste da Iniciação
dos neófitos. Edkins afirma que este tecido de ervas foi trazido para a China
do Tibete na dinastia do Tong. “Quando nasce um Arhan, esta planta
encontra-se crescendo num lugar limpo” - diz a lenda chinesa, assim como a
tibetana. Voltar.
91. Esta
mesma reverência popular chama “Budas da Compaixão” àqueles Bodhisattvas que,
tendo chegado ao grau de Arbat (isto é, tendo completado o quarto ou sétimo
Caminho), recusam-se a passar para o estado nirvânico ou “vestir a veste do
Dharmakaya e passar para a outra margem”, visto que então já não poderiam
auxiliar os homens mesmo o pouco que o Carma permite. Preferem continuar
invisivelmente (no espírito, por assim dizer) no mundo, e contribuir para a
salvação humana, influenciando os homens a seguir a boa Lei, isto é,
levando-os para o Caminho da Virtude. É costume entre os exotéricos do
budismo do Norte venerar estes grandes seres como santos e mesmo rezar a
eles, como fazem os gregos e os católicos aos seus santos e padroeiros; mas
os ensinamentos esotéricos não permitem essas orações. Há grande diferença
entre as duas doutrinas. O exotérico laico mal sabe o verdadeiro sentido da
palavra Nirmanakaya - daí a confusão e as explicações insuficientes dos
orientalistas. Por exemplo: Schlagintweit crê que Nirmanakaya significa forma
física assumida pelos Budas quando encarnam na terra - “o menos sublime dos
seus invólucros terrenos” (ver O Budismo no Tibete) - e passa a dar
opinião inteiramente falsa sobre o assunto. A verdadeira doutrina é, porém,
esta:
Os três
corpos ou formas búdicas são denominados:
I.
Nirmanakaya.
II.
Sambhogakaya.
III.
Dharmakaya.
O primeiro
é aquela forma etérea que ele assumiria quando, abandonando o corpo físico,
aparecesse no corpo astral -tendo a mais todos os conhecimentos de um Adepto.
O Bodhisattva desenvolveu-o em si mesmo à medida que avança no caminho. Tendo
chegado à meta e recusado a fruição da recompensa, permanece na terra como um
Adepto; quando morre, em vez de entrar para o Nirvana, fica no corpo glorioso
que para si teceu, invisível à humanidade não-iniciada, para velar por ela e
protegê-la.
Sambhogakaya
(literalmente “Corpo de Compensação”) é o mesmo Nirmanakaya, mas com o brilho
adicional de três perfeições, uma das quais é a obliteração de todas as
preocupações terrenas.
O corpo
Dharmakaya é o de um Buda completo, isto é, não é corpo nenhum, mas o sopro
ideal; a consciência imersa na consciência universal, ou a alma despida de
todos os atributos.
Uma vez
tornado um Dharmakaya, um Adepto ou Buda abandona toda a possível relação
com, ou pensamento ligado a esta terra. Assim, para poder auxiliar a
humanidade, um Adepto que adquiriu o direito ao Nirvana, “renuncia ao corpo
Dharmakaya”, falando misticamente; guarda, do Sambhogakaya, apenas os grandes
e completos conhecimentos, e fica no seu Nirmanakaya. A escola esotérica
ensina que Gautama Buda, com vários dos seus Arhts, é um Nirmanakaya deste
gênero, acima do qual, pela grande renúncia e sacrifício pela humanidade, não
existe ninguém. Voltar.
93. O Caminho
Aberto é o que é ensinado ao lado, é o exotérico e geralmente aceito, ao
passo que o Caminho Secreto é um cuja natureza é explicada na Iniciação. Voltar.
94. Os homens
ignorantes das verdades e sabedoria esotéricas, são chamados de os mortos que
vivem. Voltar.
95. O corpo
Dharmakaya é o de um Buda completo, isto é, não é corpo nenhum, mas o sopro
ideal; a consciência imersa na consciência universal, ou a alma despida de
todos os atributos.
Uma vez
tornado um Dharmakaya, um Adepto ou Buda abandona toda a possível relação
com, ou pensamento ligado a esta terra. Assim, para poder auxiliar a humanidade,
um Adepto que adquiriu o direito ao Nirvana, “renuncia ao corpo Dharmakaya”,
falando misticamente; guarda, do Sambhogakaya, apenas os grandes e completos
conhecimentos, e fica no seu Nirmanakaya. A escola esotérica ensina que
Gautama Buda, com vários dos seus Arhts, é um Nirmanakaya deste gênero, acima
do qual, pela grande renúncia e sacrifício pela humanidade, não existe
ninguém. Voltar.
96. Upadhya é
um preceptor espiritual, um Guru. Os budistas do Norte escolhem-no em geral
entre os Naljor, homens santos, eruditos na Gotrabhujnana e no
Jnana-darshana-shuddi, professores da sabedoria secreta. Voltar.
97. Yana
significa veículo: assim, Mahayana é o Grande Veículo e Hinayana o Veículo
Menor, nomes estes de duas escolas de ciência religiosa e filosófica no
budismo do Norte. Voltar.
98. Shravaka
- um ouvinte, ou estudante que segue as instruções religiosas. Do radical
Shru. Quando da teoria passa à prática ou realização do ascetismo. torna-se
um Shramana, exercedor de Shrama, ação. Como mostra Hardy, as duas formas
correspondem às palavras gregas akoustikoi e asketai. Voltar.
99. O Samtan
tibetano é o mesmo que o sânscrito Dyana, ou estado de meditação, do qual há
quatro graus. Voltar.
100.
Paramitas, as seis virtudes transcendentais: caridade, moralidade, paciência,
energia, contemplação e sabedoria. Para os sacerdotes há dez, as seis
apontadas, e, além delas, o emprego dos meios justos, a ciência, votos
religiosos e força de propósito (O Budismo Chinês, da Eitel). Voltar.
101.
Srotapatti - literalmente, “aquele que entrou para o rio”, que conduz ao
oceano nirvânico. Este nome indica o primeiro Caminho. O nome do segundo é o
Caminho do Sakridagamin, “aquele que receberá a nascença (só) uma vez mais”.
Ao terceiro chama-se aquele do Anagamin, “aquele que não tornará a ser
reencarnado”, a não ser que assim deseje para auxiliar a humanidade. O quarto
Caminho é conhecido como o do Rahat ou Arhat. É este o mais alto. Um Arhat vê
o Nirvana durante a sua vida. Para ele não é um estado para depois da morte:
é o seu Samadhi, durante o qual experimenta toda a felicidade do Nirvana.
(Para se ver quão pouca confiança se pode ter nos orientalistas no que diz
respeito à exatidão de palavras e do seu sentido, basta ver o que disseram
três pretensas autoridades nesta matéria. Assim, os quatro nomes que citamos
são dados por R. Spence Hardy como sendo: 1. Sowan; 2. Sakradagami; 3.
Anagami; e 4. Arya. Pelo Rev. J. Edkins são dados como: 1. Srotapanna; 2.
Sagardagam; 3. Anaganim; e 4. Arhan. Schlagintweit escreve-os de maneira
diversa, e cada um desses orientalistas dá a essas palavras sentidos
diferentes.) Voltar.
103. “Chegar à
margem” é, para os budistas do Norte, sinônimo de atingir o Nirvana pelo
exercício das seis e dez Paramitas (virtudes). Voltar.
104. Um homem
sem pecado, um santo. (Upadhya é um preceptor espiritual, um Guru. Os
budistas do Norte escolhem-no em geral entre os Naljor, homens santos,
eruditos na Gotrabhujnana e no Jnana-darshana-shuddi, professores da
sabedoria secreta). Voltar.
105. A
Alma-Mestra é Alaya, a Alma Universal ou Atman de que cada homem tem um raio
em si, e com que se supõe que é capaz de se identificar e se fundir. Voltar.
106.
Antahkarana é o Manas inferior, o caminho de comunicação ou comunhão entre a
personalidade e o Manas superior ou Alma Humana. Na morte se destrói como
caminho ou meio de comunicação, e os seus restos sobrevivem sob uma forma,
como o Kamarupa - a casca. Voltar.
107. Os
budistas do Norte, e, de resto, todos os chineses, sentem no rugido fundo de
alguns rios grandes e sagrados a nota mestra da natureza. Daí o símile. É um
fato bem conhecido, tanto na ciência física quanto no ocultismo, que o som
agregado da natureza como no rugido dos grandes rios, ou no ruído produzido
pela oscilação dos cimos das árvores numa grande floresta, ou no som de uma
cidade ouvido à distância - é um tom único e definido de alcance
perfeitamente apreciável. Mostram-no físicos e músicos. Assim, o prof. Rice (A
Música Chinesa) diz que os chineses reconheceram o fato há milhares de
anos, dizendo que as águas do Hoang-ho, ao correr, davam o Kung,
chamado "o grande tom" na música da China; e mostra que este tom
corresponde ao lá, "considerado pelos físicos modernos o tom
essencial da natureza". O Prof. B. Silliman cita-o, também, no seu Princípio
da Física, dizendo que "este tom é dado como sendo o lá médio
do piano, que pode, portanto, ser considerado a nota mestra da
natureza". Voltar.
108. Os Bhöns
e Dugpas e as várias seitas dos “barretesvermelhos”, são considerados como
os mais hábeis feiticeiros. Vivem no Tibete Ocidental, no Tibete Menor e no
Butham. São todos Tantrikas. É absolutamente ridículo encontrar orientalistas
que visitaram as fronteiras do Tibete, como Schlagintweit e outros, a
confundir os ritos e nojentas práticas desta gente com as crenças religiosas
dos Lamas orientais, os “barretes-amarelos” e os seus Naljors ou homens
santos. Voltar.
109. Amitabha.
o Imortal Iluminado, nome de Gautama Buda (Na simbologia do budismo
setentrional diz-se que Amitabha ou o espaço ilimitado (Parabrahman) tem no
seu paraíso dois Bodhisattvas - Kuan-shi-yin e Tashishi - que não cessam de
irradiar luz sobre os três mundos onde viveram, incluindo o nosso, para, com
esta luz (do conhecimento), auxiliar a instrução dos iogues, os quais, por
sua vez, salvarão os homens. A sua alta posição no reino de Amitabha é - diz
a alegoria - devida a atos de misericórdia por ambos praticados, como tais
iogues, quando na terra). Voltar.
110. Dorje é o
sânscrito Vajra, arma ou instrumento nas mãos de alguns Deuses (os Dragshed
tibetanos, os Devas que protegem os homens) e é considerado como tendo o
mesmo poder oculto de repelir más influências - purificando o ar - que o
ozone tem na química. É também um Mudra, gesto e posição usados ao sentar
para a meditação. É, em resumo, símbolo de poder sobre más inf1uências
invisíveis, quer como posição, quer como talismã. Os Bhöns e Dugpas, porém,
tendo apropriado o símbolo, aproveitam-se dele sinistramente para os fins da
magia negra. Para os barretes-amarelos, ou Gelugpas, é símbolo de poder, como
a cruz para os cristãos, e é tampouco superstição como esta. Para os Bhöns
é, como o duplo triângulo invertido, o sinal da bruxaria. Voltar.
111. Vairagya
é o sentimento de absoluta indiferença para com o universo objetivo, ao
prazer e à dor. “Nojo” (como o nojo da sociedade) não dá bem a idéia, mas é o
mais próximo que há. (“Despaixão” seria, talvez o termo mais apropriado.) Voltar.
113. “Um que
segue as passadas dos seus predecessores” é o verdadeiro sentido do nome
Tathagata. Voltar.
114. Samvritti
é aquela das duas verdades que demonstra o caráter ilusório ou o vácuo de
todas as coisas. Neste caso significa a verdade relativa. A escola Mahayana
ensina a diferença entre estas duas verdades - Paramarthsatya e
Samvrittisatya (Satya-verdade). É este o pomo de discórdia entre os
Madhyamikas e os Yogacharyas, os primeiros dos quais negam, e os segundos
afirmam, que todo o objetivo existe devido a uma causa anterior ou por
concatenação. Os Madhyamikas são os grandes niilistas e negadores, para quem
tudo é Parikalpita, uma ilusão e um erro no mundo do pensamento subjetivo
tanto como no universo objetivo. Os Yogacharyas são os grandes
espiritualistas. Samvritti, portanto, por ser apenas a verdade relativa, é a
origem de toda a ilusão. Voltar.
117.
Jnana-Marga é, literalmente, o caminho de Jnana, ou o Caminho do Conhecimento
Puro, de Paramartha ou (em sânscrito) Svasamvedana, a reflexão evidente por
si mesma, ou autoanalítica. Voltar.
118. É esta
uma alusão a uma crença bem conhecida no Oriente (como, de resto, também no
Ocidente) de que cada Buda ou santo a mais é um novo soldado no exército
daqueles que trabalham pela libertação ou salvação da humanidade. Nas regiões
do budismo do Norte, onde é ensinada a doutrina dos Nirmanakayas - aqueles
Bohisattvas que renunciam à justamente merecida veste do Nirvana ou do
Dharmakaya (qualquer dos quais os isolam para sempre do mundo dos homens)
para invisivelmente auxiliar a humanidade e conduzi-la finalmente ao
Paranirvana - cada novo Bodhisattva, ou Grande Adepto Iniciado, é denominado
o libertador da humanidade. A afirmação, feita por Schlagintweit no livro O
Budismo no Tibete, de que Prulpai ku ou Nirmanakaya é “o corpo em que os
Budas ou Bodhisattvas aparecem na terra para ensinar os homens” é
absurdamente errônea e nada explica. Voltar.
119. Uma
referência às paixões e pecados humanos que são chacinados durante as
provações do noviciado, e servem de terreno bem adubado onde podem nascer os
germes ou sementes das virtudes transcendentais. As virtudes, talentos ou
dons preexistentes têm-se por adquiridos numa nascença anterior, O gênio é
sem exceção um talento ou aptidão trazido de uma vida anterior. Voltar.
120. Titiksha
é o quinto estado da Raja Ioga - um estado de suprema indiferença; a
submissão, se for preciso, ao que se chama “o prazer e a dor para todos”, mas
não tirando nem prazer nem dor de tal submissão - em suma, o tornar-se
física, mental, e moralmente indiferente e insensível quer ao prazer, quer à
dor. Voltar.
124. Na
simbologia do budismo setentrional diz-se que Amitabha ou o espaço ilimitado
(Parabrahman) tem no seu paraíso dois Bodhisattvas - Kuan-shi-yin e Tashishi
- que não cessam de irradiar luz sobre os três mundos onde viveram, incluindo
o nosso, para, com esta luz (do conhecimento), auxiliar a instrução dos
iogues, os quais, por sua vez, salvarão os homens. A sua alta posição no
reino de Amitabha é - diz a alegoria - devida a atos de misericórdia por
ambos praticados, como tais iogues, quando na terra. Voltar.
126. O “Muro
da Guarda”, ou “Muro da Proteção”. É-nos ensinado que os esforços acumulados
de longas gerações de Iogues, Santos e Adeptos, especialmente dos
Nirmanakayas, criaram, por assim dizer, um muro de proteção em torno da
humanidade, que a guarda invisivelmente contra males ainda maiores. Voltar.
130. Esta
compaixão não deve ser tida por análoga ao “Deus, o divino amor” dos teístas.
A compaixão significa aqui lei abstrata, impessoal, cuja natureza, sendo a
harmonia absoluta, se torna confusa pela discórdia, pelo sofrimento, e pelo
pecado. Voltar.
131. Na
fraseologia do budismo do Norte todos os grandes Arhats, Adeptos e Santos são
denominados Budas. As citações atuais são feitas do Thegpa Chenpoido, o
Mahayana Sutra, “invocações aos Budas da Confissão”, Parte I. IV. Voltar.
132. Um
Bodhisattva é, hierarquicamente, menos do que um Buda perfeito. Na linguagem
exotérica os dois são muito confundidos. Mas a percepção popular, correta e
inata, colocou um Bodhisattva, devido ao seu grande sacrifício, mais alto no
seu respeito do que um Buda. Voltar.
133. Esta mesma reverência popular chama “Budas da Compaixão” àqueles
Bodhisattvas que, tendo chegado ao grau de Arbat (isto é, tendo completado o
quarto ou sétimo Caminho), recusam-se a passar para o estado nirvânico ou
“vestir a veste do Dharmakaya e passar para a outra margem”, visto que então
já não poderiam auxiliar os homens mesmo o pouco que o Carma permite.
Preferem continuar invisivelmente (no espírito, por assim dizer) no mundo, e
contribuir para a salvação humana, influenciando os homens a seguir a boa
Lei, isto é, levando-os para o Caminho da Virtude. É costume entre os
exotéricos do budismo do Norte venerar estes grandes seres como santos e
mesmo rezar a eles, como fazem os gregos e os católicos aos seus santos e
padroeiros; mas os ensinamentos esotéricos não permitem essas orações. Há
grande diferença entre as duas doutrinas. O exotérico laico mal sabe o
verdadeiro sentido da palavra Nirmanakaya - daí a confusão e as explicações
insuficientes dos orientalistas. Por exemplo: Schlagintweit crê que
Nirmanakaya significa forma física assumida pelos Budas quando encarnam na
terra - “o menos sublime dos seus invólucros terrenos” (ver O Budismo no
Tibete) - e passa a dar opinião inteiramente falsa sobre o assunto. A
verdadeira doutrina é, porém, esta:
Os três
corpos ou formas búdicas são denominados:
I.
Nirmanakaya.
II.
Sambhogakaya.
III.
Dharmakaya.
O primeiro
é aquela forma etérea que ele assumiria quando, abandonando o corpo físico,
aparecesse no corpo astral -tendo a mais todos os conhecimentos de um Adepto.
O Bodhisattva desenvolveu-o em si mesmo à medida que avança no caminho. Tendo
chegado à meta e recusado a fruição da recompensa, permanece na terra como um
Adepto; quando morre, em vez de entrar para o Nirvana, fica no corpo glorioso
que para si teceu, invisível à humanidade não-iniciada, para velar por ela e
protegê-la.
Sambhogakaya
(literalmente “Corpo de Compensação”) é o mesmo Nirmanakaya, mas com o brilho
adicional de três perfeições, uma das quais é a obliteração de todas as
preocupações terrenas.
O corpo
Dharmakaya é o de um Buda completo, isto é, não é corpo nenhum, mas o sopro
ideal; a consciência imersa na consciência universal, ou a alma despida de
todos os atributos.
Uma vez
tornado um Dharmakaya, um Adepto ou Buda abandona toda a possível relação
com, ou pensamento ligado a esta terra. Assim, para poder auxiliar a
humanidade, um Adepto que adquiriu o direito ao Nirvana, “renuncia ao corpo
Dharmakaya”, falando misticamente; guarda, do Sambhogakaya, apenas os grandes
e completos conhecimentos, e fica no seu Nirmanakaya. A escola esotérica
ensina que Gautama Buda, com vários dos seus Arhts, é um Nirmanakaya deste
gênero, acima do qual, pela grande renúncia e sacrifício pela humanidade, não
existe ninguém. Voltar.
134. Myalba é
a nossa terra - propriamente chamada de Inferno - que a escola esotérica
chama o maior de todos os infernos. A doutrina esotérica não conhece inferno,
ou lugar de castigo, a não ser um planeta habitado ou terra. Avichi é um
estado e não um lugar. Voltar.
135. Isto
significa que nasceu um novo salvador da humanidade, que conduzirá os homens
ao Nirvana final, isto é, depois do fim do ciclo de vidas. Voltar.
136. Esta é
uma das variantes da fórmula que invariavelmente fecha todo o tratado,
invocação ou instrução. “Paz a todos os seres”, “Bênçãos sobre tudo quanto
vive”, etc. Voltar.
F I M
Originalmente editado pela Loja Fênix - Brasília/DF.
|
H.P.BLAVATSKY -
PENSAMENTOS
Helena Petrovna Blavatsky - a corajosa
e fascinante personagem da renascença ocultista que floresceu na metade do
século dezenove" - foi uma revolucionária do pensamento humano. Sua obra
monumental de informações e denúncias culturais abalou os dogmas e a história de
nosso tempo. Ela passou quase toda sua vida mergulhada a desvendar o mistério
do ser humano, construindo um sistema de pensamento novo e ao mesmo tempo
antigo. H. P. B. foi, antes de tudo, uma poderosa pensadora. O pensar era a sua
terrível arma contra a ignorância de sua época. Do alto de suas cátedras, os
sábios oficiais e intocáveis foram queimados por uma nova forma de pensar o
Universo.
Em 1921, um discípulo e amigo Winfred
A. Parley, compilou uma extensa coleção de citações e pensamentos de H. P. B.;
posteriormente, esse material foi publicado pela Editora Teosófica da
Inglaterra.
No ano de 1970, foram convocados vinte
teósofos de todo o mundo para selecionar outras citações da pensadora, as quais
fazem parte hoje do Calendário da Sabedoria, publicado pela The Theosophical
Publishing House. No Brasil a publicação desta obra foi feita pela Editora
Pensamento, com tradução de Joaquim Gervásio de Figueredo, e cujo trabalho
serviria de base para a nossa pesquisa.
Há, também, em português, editada pela
Ground, um Glossário Teosófico, de H. P. B., enfeichando mais de 18.000
verbetes sobre esoterismo, ciências ocultas, hermetismo, espiritualidade,
religião e outros segmentos do conhecimento, cuja leitura se torna obrigatória
para o estudante de Teosofia.
A maioria dos pensamentos abaixo
listados foram selecionados por membros da Sociedade Teosófica no Brasil.
"O
universo é a combinação de milhares de elementos, e contudo é expressão de um
simples espírito - um caos para os sentidos, um cosmos para a razão."
(Ísis sem Véu)
(Ísis sem Véu)
"Se há
um espírito imortal desenvolvido no homem, ele deve existir em tudo o mais,
pelo menos em estado latente ou germinal; pode ser apenas uma questão de tempo
para que cada um destes germes torne-se plenamente desenvolvido."
(Ísis sem Véu)
(Ísis sem Véu)
"A
Doutrina Secreta ensina o progressivo aperfeiçoamento de todas as coisas, tanto
dos mundos como dos átomos. E este estupendo aperfeiçoamento não tem um começo
concebível nem um fim imaginável. Nosso "Universo" é apenas um de um
infinito número de Universos, todos eles "Filhos da Necessidade",
porque na grande cadeia cósmica de Universos cada elo acha-se numa relação de
efeito com referência ao antecessor, e de causa com referência ao
sucessor."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"O
altruísmo é uma parte integral do auto-aperfeiçoamento. Mas temos de discernir.
Ninguém tem o direito de inanir-se até a morte para que outrem possa ter
alimento, a não ser que a vida deste último obviamente seja mais útil do que a
do primeiro. Mas é seu dever sacrificar o próprio conforto e trabalhar pelos
outros se estes estão incapacitados para o trabalho."
(A Chave da Teosofia)
(A Chave da Teosofia)
"A
harmonia no mundo físico e matemático dos sentidos é justiça no mundo
espiritual. A justiça produz harmonia e a injustiça discórdia; a discórdia,
numa escala cósmica, significa caos - aniquilação."
(Ísis sem Véu)
(Ísis sem Véu)
"Os
maus pensamentos são menos prejudiciais do que os pensamentos utópicos e
medíocres. Porque contra os maus pensamentos estais sempre alerta, e estando
determinados a combatê-los e vencê-los, essa determinação vos auxilia a
desenvolver a força de vontade. Os pensamentos medíocres, ao contrário, servem
simplesmente para distrair a atenção e desperdiçar energias."
(Ocultismo Prático)
(Ocultismo Prático)
"A
idéia da Absoluta Unidade estaria inteiramente fragmentada em nossa concepção
se não tivéssemos algo concreto, diante de nossos olhos, que contivesse essa Unidade.
E a deidade, sendo absoluta, deve ser onipresente; por isso é que nenhum átomo
deixa de contê-LA em si. As raízes, o tronco e seus muitos galhos são três
objetos distintos, e no entanto formam uma árvore."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"Meditação,
abstinência em tudo, observação dos deveres morais, pensamentos agradáveis,
boas ações e palavras amáveis, como também a boa vontade com todos e o total
esquecimento do Eu, são os meios mais eficazes de obter conhecimento e
preparar-se para a recepção da sabedoria superior."
(Ocultismo Prático)
(Ocultismo Prático)
"Um
alto desenvolvimento das faculdades intelectuais não implica a verdadeira vida
espiritual. A presença de uma alma intelectual humana, altamente desenvolvida
numa pessoa... é perfeitamente compatível com a ausência de Buddhi, ou a alma
espiritual. A não ser que o primeiro evolua ou se desenvolva dos ou sob os
benéficos raios da última, ele permanecerá sempre e tão-somente uma progênie
direta dos princípios terrestres, inferiores, estéreis quanto às percepções espirituais,
sepulcro magnificente, luxurioso, cheio de ossos secos de matéria_ decomposta
em seu interior."
(Revista Lúcifer)
(Revista Lúcifer)
"A
perfeição, para ser completa, deve nascer da imperfeição; o incorruptível deve
brotar do corruptível, tendo a este por veículo, base e contraste."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"O
Homem, como Homem Arquetípico ou Adão, é feito para conter todo o Sistema Cabalístico.
Ele é o grande símbolo e a sombra projetados pelo Cosmos manifestado, que em si
é o reflexo do princípio impessoal e sempre incompreensível. Esta sombra supre
com sua estrutura - o pessoal nascido do impessoal - uma espécie de símbolo
objetivo e tangível de todas as coisas visíveis do Universo."
(Revista Lúcifer)
(Revista Lúcifer)
"Os
antigos... compreenderam o fato de que as relações recíprocas entre os corpos
planetários são tão perfeitas quanto as que existem entre os corpúsculos sanguíneos
que flutuam num fluido comum, e que cada um é afetado pelas influências
combinadas dos restantes, uma vez que cada um por sua vez afeta todos os
demais."
(Ísis sem Véu)
(Ísis sem Véu)
"Os
juramentos nunca impõem uma obrigação, até que cada homem compreenda
plenamente: 1º) que a humanidade é a mais alta manifestação na Terra da Suprema
Deidade Invisível; 2º) que cada homem é uma encarnação de seu Deus; 3°) quando
o sentido de responsabilidade pessoal estiver tão desenvolvido nele que
considere o perjúrio o maior insulto possível a si mesmo e à humanidade. Nenhum
juramento impõe uma obrigação de fato, a não ser quando prestado por alguém
que, sem qualquer juramento, guarde solenemente uma palavra de honra."
(Ísis sem Véu)
(Ísis sem Véu)
"A
pessoa dotada da faculdade de pensar nas coisas mais insignificantes do plano
superior do pensamento, em virtude de tal dom tem, por assim dizer, um poder
plástico de formação em sua imaginação real. Sobre o que quer que essa pessoa
pense, seu pensamento será tão ou mais intenso que o pensamento de uma pessoa
comum, que por esta mesma força obtém o poder de criação."
(Revista Lúcifer)
(Revista Lúcifer)
"A
humanidade - pelo menos em sua maioria - detesta refletir, mesmo em benefício
próprio. Magoa-se, como se fora um insulto, ao mais humilde convite para sair
por um momento das velhas e batidas veredas e, a seu critério, ingressar num
novo caminho para seguir em alguma outra direção."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"A
mente recebe indeléveis impressões mesmo de conhecimentos ou pessoas
casualmente encontradas apenas uma vez. Assim como alguns segundos de revelação
da chapa fotográfica sensibilizada é tudo o que se necessita para preservar
indefinidamente a imagem de um objeto, o mesmo acontece com a mente."
(Ísis sem Véu)
(Ísis sem Véu)
"O
motivo certo para a busca do autoconhecimento é aquele que pertence ao
conhecimento e não ao eu. O autoconhecimento merece ser procurado em virtude de
ser conhecimento e não em virtude de pertencer ao eu. O principal requisito
para adquirir o autoconhecimento é um amor puro. Buscai o conhecimento por puro
amor, e o autoconhecimento finalmente coroará o esforço."
(Ocultismo Prático)
(Ocultismo Prático)
"A
força centrípeta não poderia manifestar-se sem a centrífuga na revolução
harmoniosa das esferas; todas as formas são produtos desta força dual da
natureza."
(Ísis sem Véu)
(Ísis sem Véu)
"A
sabedoria oriental ensina que o espírito tem de passar pelo ordálio da
encarnação e da vida, e ser batizado com a matéria antes de poder atingir a
experiência e o conhecimento. Só após isso ele recebe o batismo da alma, ou
autoconsciência, e pode retornar à sua condição original de um deus, mais a
experiência, terminando com a onisciência. Em outras palavras, ele pode
retornar ao estado original da homogeneidade da essência primordial, somente
através da frutificação do Karma, que é o único capaz de criar uma absoluta
deidade consciente, distante apenas um grau do TODO absoluto."
(Revista Lúcifer)
(Revista Lúcifer)
"Vivemos
numa atmosfera de escuridão e desespero... porque nossos olhos estão voltados e
fitos na terra, repleta de manifestações físicas e grosseiramente materiais.
Se, ao invés disso, o homem, prosseguindo na jornada de sua vida, olhasse não
para o céu - o que é apenas uma figura de retórica - mas para dentro de si
mesmo, e centralizasse seu ponto de observação no homem interior, muito logo
escaparia dos rolos compressores da grande serpente da ilusão."
(Revista Lúcifer)
(Revista Lúcifer)
A magia,
como ciência, é o conhecimento destes princípios e da maneira como a
onisciência e onipotência do espírito e seu domínio sobre as forças da natureza
podem ser adquiridas pelo indivíduo, mesmo estando ainda no corpo físico. Como
arte, a magia é a aplicação deste conhecimento na prática."
(Ísis sem Véu)
(Ísis sem Véu)
"A
filosofia platônica era a da ordem, sistema e proporção. Abrangia a evolução
dos mundos e espécies, a correlação e conservação da energia, a transmutação da
forma material, a indestrutibilidade da matéria e do espírito. Sua posição a
este respeito estava muito à frente da ciência moderna, e enfeixava o arco de
seu sistema filosófico com um fecho a um tempo perfeito e inabalável."
(Ísis sem Véu)
(Ísis sem Véu)
"O
egoísmo pessoal é que excita e estimula o homem a abusar de seus conhecimentos
e poderes. O egoísmo é um edifício humano, cujas janelas e portas estão sempre
escancaradas para que toda espécie de iniqüidades entre na alma humana."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"A
doutrina fundamental da filosofia esotérica não admite privilégios ou dons
especiais no homem, salvo aqueles adquiridos por seu próprio Ego, através de
esforços e méritos pessoais, durante toda uma longa série de metempsicoses e
reencarnações."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"Para
tomar-se autoconsciente, o Espírito deve passar pelos diversos ciclos de
existência, atingindo na Terra o seu ápice no homem. O Espírito em si é uma
abstração negativa inconsciente. Sua pureza é inerente, não adquirida por
mérito; daí que para tornar-se o mais elevado Dhyan Chohan (Senhor de Luz), é
necessário que todo Ego atinja a plena autoconsciência como humano, isto é,
consciente, sintetizado para nós no Homem."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"Atinge-se
a cultura espiritual pela concentração. Deve ser continuada diariamente e ser
usada a todo o momento. A meditação foi definida como a ´cessação da atividade
externa do pensamento´. Concentração é a total tendência da vida para um dado
fim."
(Ocultismo Prático)
(Ocultismo Prático)
"Não há
nenhum bem ou mal em si, como não há nem "elixir da vida" nem
"elixir da morte", nem veneno em si. Tudo está contido na única e
mesma essência universal, dependendo os resultados do grau de sua diferenciação
e de suas várias correlações. O seu lado de luz produz vida, saúde,
bem-aventurança, paz divina, etc.; o lado de trevas traz morte, doenças,
tristezas e conflitos."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"A
Natureza revela seus mais íntimos segredos e partilha a verdadeira sabedoria
somente àquele que busca a verdade por amor à própria verdade, e que aspira ao
conhecimento para conferir benefícios aos outros, não à sua insignificante
personalidade."
(Revista Lúcifer)
(Revista Lúcifer)
"Karma
é uma lei infalível, que nos planos físico, mental e espiritual da existência
ajusta o efeito à causa. Assim como não existe causa sem efeito - desde uma
perturbação cósmica até o movimento de nossas mãos; assim como cada coisa
engendra sua semelhante, da mesma forma o Karma é aquela lei invisível e
desconhecida que sábia, inteligente e eqüitativamente ajusta cada efeito à sua
causa e leva esta ao seu produtor."
(A Chave da Teosofia)
(A Chave da Teosofia)
"Não há
nenhum Demônio, nenhum Mal fora do gênero humano para produzir um Demônio. O
Mal é uma necessidade no Universo Manifestado, e um dos seus sustentáculos. É
uma necessidade para o progresso e a evolução, tanto quanto a noite é
necessária para a produção do dia, e a morte para a produção da vida, afim de
que o homem possa viver por todo o sempre."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"Uma
lei oculta ensina que todo homem corrige seus defeitos individuais, aperfeiçoa,
por pouco que seja, o organismo de que é parte integrante. Do mesmo modo,
ninguém peca ou sofre os efeitos do pecado, sozinho. De fato, não existe
nenhuma "separatividade". A mais achegada aproximação desse estado
egoísta, que as leis da vida permitem, está na intenção ou motivo."
(A Chave da Teosofia)
(A Chave da Teosofia)
"Resumindo
tudo em poucas palavras, MAGIA é SABEDORIA espiritual. A Natureza é a aliada,
aluna e serva do mago. Um princípio comum, vital, penetra todas as coisas, e é
controlável pela vontade do homem perfeito. O Adepto pode estimular os
movimentos das forças naturais nas plantas e animais num grau sobrenatural.
Tais fatos não são obstruções da Natureza, mas aceleramentos em que são dadas
condições de ação vital mais intensa."
(Ísis sem Véu)
(Ísis sem Véu)
"O
Karma não cria nem planeja nada. É o homem quem planeja e cria causas, e a Lei
Cármica ajusta o efeito. Tal ajustamento não é um ato, mas a harmonia universal
que tende sempre a reassumir sua posição original, tal qual um galho de árvore
que, puxado violentamente para baixo, retorna com igual violência. Se o braço
que o puxou se deslocar ou quebrar, quem teria sido o causador do sofrimento? O
galho ou a nossa insensatez?"
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"Uma
completa familiaridade com as faculdades ocultas de tudo que existe na
Natureza, tanto visível quanto invisível; suas mútuas relações, atrações e
repulsões, bem como sua causa, investigada até o princípio espiritual que
penetra e anima todas as coisas; a habilidade para prover as melhores condições
para que tal princípio se manifeste - noutras palavras, um profundo e exaustivo
conhecimento das leis naturais - essa era e é a base da Magia."
(Ísis sem Véu)
(Ísis sem Véu)
"A
oração é uma ação enobrecedora quando é um intenso sentimento, um ardente
desejo emitido de nosso próprio coração para o bem de outros, e quando
inteiramente isento de qualquer objetivo egoísta, pessoal."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"A
vontade do Criador, pela qual todas as coisas foram feitas e receberam seus
primeiros impulsos, é propriedade de todo ser vivente. O homem, dotado de uma
espiritualidade adicional, tem a maior partilha dessa vontade. Ele obterá maior
ou menor sucesso no uso do poder mágico da mesma, proporcionalmente à matéria
nele existente."
(Ísis sem Véu)
(Ísis sem Véu)
"Nós
produzimos causas, e estas despertam as forças correspondentes no Mundo
Sideral. Elas são magnéticas e irresistivelmente atraídas por aqueles que as
produzem, e reagem sobre tais pessoas, sejam praticamente os malfeitores ou
simplesmente "pensadores" que nutrem maldades."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"Agir e
agir sabiamente no momento oportuno, esperar e esperar pacientemente quando é
hora de repouso, põem o homem em sintonia com as marés cheias e baixas, de sorte
que, com a natureza e a lei como apoio, e a verdade e a beneficência como
farol, ele pode realizar maravilhas."
(Ocultismo Prático)
(Ocultismo Prático)
"A roda
da Lei gira rapidamente. Mói noite e dia. Separa do dourado grão as cascas
inúteis, e da farinha o farelo. A mão do Karma guia a roda, cujas rotações
marcam as palpitações do coração cármico."
(A Voz do Silêncio)
(A Voz do Silêncio)
"A
idéia teosófica da caridade significa esforço pessoal pelos outros; compaixão e
bondade pessoais, interesse pessoal pelo bem estar dos que sofrem; simpatia
pessoal, providência e assistência em seus sofrimentos e necessidades."
(A Chave da Teosofia)
(A Chave da Teosofia)
"Pela
radiante luz do oceano magnético universal, cujas ondas elétricas abarcam o
Cosmos, e em seu incessante movimento penetram cada átomo e molécula da
infinita criação, os discípulos do mesmerismo - não obstante a pobreza de seus
vários experimentos - intuitivamente percebem o alfa e o ômega do grande
mistério. Sozinho, o estudo deste agente, que é o divino alento, pode desvendar
os segredos da psicologia e da fisiologia, dos fenômenos cósmicos e dos
espirituais."
(Ísis sem Véu)
(Ísis sem Véu)
"O reto
pensamento é uma boa coisa, mas o pensamento solitário pouco vale; precisará
ser traduzido em ação."
(Theosophist)
(Theosophist)
"Ninguém
deve entrar no Ocultismo, nem mesmo tocar nele, antes de estar perfeitamente
familiarizado com seus próprios poderes, e de saber como comensurá-lo com suas
próprias ações. E isto ele só pode fazer estudando a filosofia do Ocultismo
antes de entrar num treinamento prático. Caso contrário, fatalmente ele cairá
na Magia Negra."
(Revista Lúcifer)
(Revista Lúcifer)
"Quedamo-nos
estupefatos diante do mistério que nós próprios fabricamos, e dos enigmas da
vida que não queremos resolver, e depois acusamos a grande Esfinge de nos
devorar. Mas, em verdade, não há um acidente em nossa vida, não há um dia mau
ou uma desgraça cuja causa não possa ser encontrada em nossas próprias ações,
nesta ou noutra existência. Se alguém infringe as leis da harmonia ou, conforme
a expressão de um teósofo, as "leis da vida", deve estar preparado
para cair no caos que ele mesmo produziu."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"O
único decreto do Karma - decreto eterno e imutável - é a Harmonia completa no
Mundo da Matéria, como o é no Mundo do Espírito. Portanto, não é o Karma que
nos pune ou recompensa, porém somos nós mesmos que nos recompensamos ou punimos,
segundo trabalhemos com a Natureza, pela Natureza e de acordo com a Natureza,
obedecendo ou transgredindo às leis de que depende essa Harmonia."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"Pitágoras
ensinava que todo o universo é um vasto sistema de combinações matematicamente
corretas. Platão mostra a deidade geometrizada. O mundo é sustentado pela mesma
lei de equilíbrio e harmonia sobre a qual foi construído."
(Ísis sem Véu)
(Ísis sem Véu)
"Certamente
o homem não é nenhuma criação especial. Ele é o produto do trabalho do aperfeiçoamento
gradual da Natureza, semelhante a qualquer outra unidade vivente nesta Terra.
Mas isto é apenas com referência ao tabernáculo humano. Aquilo que vive e pensa
no homem e sobrevive a essa forma é o "Eterno Peregrino", a protéica
diferenciação no Espaço e Tempo do Uno "Incognoscível" e
Absoluto."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"Parabrahman,
a Realidade única, o Absoluto, é o campo da Consciência Absoluta, isto é,
aquela Essência que está além de toda relação com a existência condicionada, e
da qual a existência consciente é um símbolo condicionado. Mas desde que, em
pensamento, passemos desta (para nós) Absoluta Negação, sobrevém a dualidade no
contraste de Espírito (ou Consciência) e Matéria, Sujeito e Objeto.
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"A
idéia que um homem tem de Deus é aquela imagem de luz ofuscante que vê
refletida no espelho côncavo de sua própria alma, e, contudo isso não é Deus,
mas apenas Seu reflexo. Sua glória está ali, porém é a luz de seu próprio
Espírito que ele vê: é tudo o que ele pode comportar. Quanto mais claro o
espelho, tanto mais brilhante será a divina imagem. Mas o mundo exterior não
pode testemunhá-lo no mesmo momento."
(Ísis sem Véu)
(Ísis sem Véu)
"Há uma
lei fundamental do Ocultismo que diz não haver repouso ou cessação de movimento
na Natureza. Aquilo que parece repouso é apenas a mudança de uma forma para
outra; a mudança de substância anda de mãos dadas com a de forma - conforme nos
ensina a Física oculta."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"O
pensamento é uma energia que afeta a matéria de várias maneiras, mas a
consciência em si, como a entende e explica á Filosofia oculta, é a mais
elevada qualidade do princípio senciente espiritual em nós, a Alma Divina (ou
Buddhi) e nosso Ego superior - e não pertence ao plano da materialidade."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"A
Doutrina Secreta ensina a identidade fundamental de todas as Almas com a Alma
Suprema Universal, sendo esta um aspecto da Raiz Desconhecida. Ensina também a
peregrinação obrigatória para todas as Almas - centelhas daquela Alma Suprema
-através do Ciclo Reencarnatório, durante todo esse período, de acordo com a
Lei Cíclica e Cármica."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
A mente
requer purificação toda vez que nos irritamos, que dizemos uma falsidade, ou
divulgamos faltas alheias. Devemos purificá-la, toda vez que falamos ou fazemos
qualquer coisa, com a finalidade de bajular, ou quando alguém é enganado pela
insinceridade de nossas palavras ou de nossos atos."
(Ocultismo Prático)
(Ocultismo Prático)
"Os
ensinos secretos referentes à evolução do Cosmos Universal não podem ser
ministrados, já que não poderiam ser compreendidos pelas mais altas
mentalidades desta época, e parece haver poucos Iniciados, mesmo entre os
maiores, aos quais é permitido especular sobre este assunto... os Instrutores
dizem claramente que nem mesmo os Dhyani-Chohans jamais penetraram nos
mistérios que se acham além dós limites que separam do Sol Central os bilhões
de sistemas solares. Portanto, os ensinos transmitidos se referem apenas ao
nosso Cosmos visível, após uma Noite de Brahmâ."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"Por
aquela intuição superior adquirida por meio da Teosofia - ou Conhecimento
Divino - que projetou a mente, do mundo da forma para o do espírito sem forma,
o homem tem sido às vezes capaz, em todos os séculos e em todos os países, de
perceber coisas no mudo interior ou invisível."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"Lúcifer
- o Espírito da Iluminação Intelectual e Liberdade de Pensamento-é,
metaforicamente, o farol orientador que ajuda o homem a encontrar o seu caminho
por entre as rochas e bancos de areia da Vida. Pois Lúcifer, em seu aspecto
mais elevado, é o Logos, e no mais baixo, o "Adversário" - ambos
refletidos em nosso Ego."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"Para o
Ocultista oriental, a Árvore do Conhecimento, no Paraíso do próprio coração do
homem, torna-se a Árvore da Vida Eterna, e nada tem a ver com os sentidos
animais do homem. É mistério absoluto que se revela somente através dos
esforços do Manas aprisionado, o Ego, para libertar-se da escravidão da
percepção sensória, e ver à luz da única e eterna Realidade presente."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"Não
pode haver nenhuma real libertação do pensamento humano nem expansão dos
descobrimentos científicos, enquanto não for reconhecida a existência do
espírito, e aceita como um fato a dupla revolução".
(A Modern Panarion)
(A Modern Panarion)
"Vários
são os pensadores que, ao estudar os sucessos e reveses das nações e grandes
impérios, têm-se surpreendido com uma característica idêntica em suas
histórias, a saber, a inevitável repetição de acontecimentos similares, depois
de iguais períodos de tempo."
(Cinco Anos de Teosofia)
(Cinco Anos de Teosofia)
"Imaginar
que um cérebro humano possa conceber algo que nunca dantes foi concebido pelo
"cérebro universal" é falácia e vaidosa presunção. No melhor dos
casos, o primeiro pode apanhar, aqui e ali, perdidos vislumbres do
"Pensamento Eterno" depois que este assumiu alguma forma objetiva,
quer no Universo visível, quer no invisível."
(A Modern Panarion)
(A Modern Panarion)
"Nos
idos dias de Sócrates e de outros sábios da antiguidade, como agora, aqueles
que estão desejosos de aprender a grande Verdade sempre terão sua oportunidade
se apenas "procurarem" encontrar alguém que os conduza à porta de
´quem sabe quando e como´."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"Tudo é
vida, e cada átomo, mesmo da poeira mineral, é uma VIDA, embora isso esteja
além de nossa compreensão e percepção, porque está fora do âmbito das leis
conhecidas por aqueles que rejeitam o Ocultismo."
(A Doutrina Secreta)
(A Doutrina Secreta)
"Está
bem, Ouvinte. Prepara-te, pois terás que viajar sozinho. O Instrutor pode
apenas indicar o caminho. A Senda é uma para todos; os meios para chegar à meta
variam com os peregrinos."
(A Voz do Silêncio)
(A Voz do Silêncio)
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